EUA avaliam uso de vapes e sachês de nicotina para ajudar militares a parar de fumar

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A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma proposta no orçamento de defesa para o ano fiscal de 2027 que pode mudar as estratégias de combate ao tabagismo nas Forças Armadas. A medida autoriza o Pentágono a realizar um projeto-piloto de um ano para testar se alternativas sem combustão, como cigarros eletrônicos (vapes), sachês de nicotina e tabaco aquecido, ajudam militares na ativa a abandonar o cigarro convencional.

O programa seria voltado para membros da Força Aérea, Exército, Marinha, Corpo de Fuzileiros Navais e Força Espacial que fumam ao menos um cigarro por semana. As ações se concentrariam em bases militares com taxas de tabagismo acima da média nacional e maior representação de minorias e populações vulneráveis. Junto às alternativas sem fumaça, os participantes também teriam acesso a aconselhamento e a terapias tradicionais, como chicletes e adesivos de nicotina.

O diferencial científico da proposta

A iniciativa chama a atenção porque nem o vape, nem os sachês de nicotina, nem o tabaco aquecido são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), a agência sanitária dos EUA, como medicamentos para cessação do tabagismo. O objetivo do projeto não é tratar esses produtos como remédios consolidados, mas sim avaliar seu potencial como estratégias de redução de danos em situações reais.

Do ponto de vista da saúde pública, a premissa baseia-se na ausência de combustão. A FDA reconhece que a queima do tabaco no cigarro tradicional é a principal responsável pela geração de substâncias tóxicas de alto risco. Produtos não combustíveis, embora não sejam isentos de riscos à saúde, tendem a apresentar menor exposição a esses compostos. No entanto, autoridades de saúde reforçam que os benefícios reais só ocorrem quando há a substituição completa do cigarro comum, e não o uso combinado.

Tabagismo e prontidão militar

O interesse das Forças Armadas no tema fundamenta-se em dados de saúde. Um estudo do Military Health System publicado em abril de 2026, com dados de mais de 920 mil militares na ativa, revelou que cerca de 22% a 28,7% utilizavam algum produto com tabaco ou nicotina. O uso de cigarros eletrônicos foi o mais relatado (mais de 115 mil pessoas), seguido pelo cigarro tradicional (mais de 47 mil).

Para a medicina militar, o tabagismo afeta diretamente a prontidão das tropas. O hábito reduz a resistência física, compromete funções cognitivas e a visão, retarda a cicatrização de ferimentos e aumenta a suscetibilidade a infecções respiratórias.

Próximos passos

O projeto ainda não é lei. O texto precisa passar pelo Senado americano (onde pode sofrer alterações ou ser removido) e seguir para sanção presidencial. Se aprovado, caberá ao Departamento de Defesa desenhar a metodologia do teste e, ao final de um ano, apresentar ao Congresso relatórios sobre a eficácia da medida e o impacto na saúde dos militares.

Referências

ANDERSON, Ali. US defence bill would test vapes and nicotine pouches to help troops quit smoking. Clearing the Air, 2026. Disponível em: https://clearingtheair.eu/en/post/us-defence-bill-would-test-vapes-and-nicotine-pouches-to-help-troops-quit-smoking/. Acesso em: 31 jul. 2026. 

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