Quase 20% dos adultos recorrem ao cigarro convencional para tentar deixar o vape, aponta pesquisa

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Quase 20% dos adultos recorrem ao cigarro convencional para tentar deixar o vape, aponta pesquisa

Uma nova pesquisa realizada no Reino Unido revelou um dado preocupante para a saúde pública: quase 20% dos adultos que tentaram parar de usar cigarros eletrônicos (vapes) recorreram aos cigarros convencionais como método de apoio. O estudo, conduzido pela organização Action on Smoking and Health (ASH) em 2026, acende o debate sobre como a falta de clareza a respeito dos riscos relativos pode estar direcionando as pessoas de volta ao tabaco combustível, cujo perfil de risco é sabidamente muito mais prejudicial.

O que revelam os dados da pesquisa Smokefree GB 2026?

O levantamento foi realizado online pela YouGov com uma amostra de 13.259 adultos entre fevereiro e março de 2026. Focando no comportamento de cessação daqueles que já utilizaram dispositivos eletrônicos, o estudo apontou que, entre os 940 participantes que tentaram interromper o consumo por meio de algum método específico:

  • 31% utilizaram terapias de reposição de nicotina, como adesivos ou gomas.
  • 19% afirmaram ter recorrido ao cigarro convencional na tentativa de abandonar o vaporizador, consolidando o tabagismo como o segundo método mais comum.
  • 9% buscaram auxílio com profissionais de saúde ou serviços de cessação.
  • 7% utilizaram aplicativos e outros 7% usaram medicamentos prescritos.

Além disso, cerca de três quartos (75%) das pessoas que já vaporizaram relataram tentativas de parar de utilizar os cigarros eletrônicos, contra 36% dos usuários ativos. Contudo, a grande maioria (63%) tentou realizar a transição de forma abrupta, sem adotar nenhum método específico.

Como a percepção de risco influencia a decisão dos usuários?

A probabilidade de um indivíduo reverter ao cigarro tradicional para deixar o vape varia de acordo com o que ele acredita sobre os perigos de cada produto:

  • Entre os que pensam que vaporizar é mais prejudicial do que fumar, 33% usaram cigarros comuns em seu esforço de cessação do vape.
  • Para quem considera os dois produtos igualmente perigosos, o índice de retorno ao tabaco foi de 20%.
  • Já entre os que entendem que o vape é menos prejudicial, apenas 14% recorreram ao cigarro tradicional.

Embora a correlação seja nítida, a ASH aponta que não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito imediato. Ainda assim, os números sugerem que percepções distorcidas geram graves consequências práticas no comportamento.

“Se alguém acredita que vaporizar é tão prejudicial quanto fumar, essa pessoa terá menos probabilidade de usar o vaporizador para parar de fumar, além de estar mais propensa a abandonar o vape e retornar ao cigarro”, explicou Hazel Cheeseman, diretora executiva da ASH. Atualmente, 54% dos adultos e 52% dos fumantes acreditam erroneamente que o vape é, no mínimo, tão prejudicial quanto o cigarro , um ceticismo que saltou de 25% para mais de 50% em uma década.

O papel dos vaporizadores na redução de danos

Apesar dos desafios de comunicação, o vape tem desempenhado um papel relevante para retirar milhões de pessoas do tabagismo convencional. Atualmente, cerca de 5,5 milhões de adultos vaporizam na Grã-Bretanha, incluindo 3,3 milhões de ex-fumantes. Dos que pararam de fumar nos últimos cinco anos, 58% utilizaram o vape em sua estratégia de transição.

O uso diário de vape (7,8%) superou o de cigarros comuns (6,6%) no país. Uma revisão robusta de evidências do King’s College London concluiu que vaporizadores expõem os usuários a significativamente menos substâncias tóxicas do que os cigarros tradicionais.

Alinhando-se à responsabilidade editorial, destaca-se que, embora vaporizadores regulados não sejam isentos de riscos, a ausência de combustão altera radicalmente seu perfil de risco em comparação ao cigarro convencional, tornando-o uma ferramenta útil de redução de danos.

Novos desafios regulatórios sob o debate do Tobacco and Vapes Act

As propostas surgem no momento em que o Reino Unido debate regras mais rígidas sob o Tobacco and Vapes Act, que se tornou lei em abril de 2026. Uma consulta pública nacional estuda propostas como a adoção de embalagens padronizadas (plain packaging), limites de sabores e restrições visuais nos pontos de venda para desestimular o consumo de crianças.

Entidades como o Cancer Research UK apoiam regras de proteção à juventude, contanto que preservem o papel do vape para adultos que tentam parar de fumar. Para Cheeseman, errar esse equilíbrio regulatório pode desacelerar o combate ao tabagismo, que continua sendo a maior causa de morte evitável no mundo.

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