Troca completa do cigarro pelo vaporizador reduz riscos para o coração, aponta revisão científica

Publicado:

Tempo de leitura: 2 minutos

Substituir totalmente o cigarro tradicional pelos vapes (também conhecidos como cigarros eletrônicos) pode reduzir de forma significativa a exposição a substâncias tóxicas associadas a doenças cardiovasculares. É o que revela uma ampla revisão de evidências laboratoriais, clínicas e populacionais publicada na revista científica Cureus.

O levantamento aponta que a chave para essa proteção está na transição completa. Enquanto o consumo exclusivo do vaporizador apresentou uma queda expressiva em marcadores de inflamação e melhora na saúde dos vasos sanguíneos, o consumo combinado (usar vape e continuar fumando cigarro) trouxe pouca ou nenhuma redução de danos.

🔬 O que acontece no organismo ao fazer a transição?

A fumaça do cigarro comum carrega compostos altamente nocivos, como monóxido de carbono, acroleína e benzeno, que danificam os vasos, aceleram inflamações e favorecem o surgimento de coágulos. Como os dispositivos eletrônicos não envolvem combustão do tabaco, a exposição a esses agentes despenca.

Estudos clínicos analisados pela revisão demonstraram benefícios diretos para a saúde cardiovascular:

  • Melhora na circulação: Pesquisas no Reino Unido observaram avanços na função vascular em apenas um mês após a mudança total.
  • Indicadores positivos: Ensaios de 24 semanas registraram redução na contagem de glóbulos brancos e melhora nos níveis de colesterol HDL (o colesterol bom).
  • Pressão e batimentos: Houve estabilização e queda na pressão arterial e na frequência cardíaca entre os adultos que abandonaram o cigarro combustível.

⚠️ Redução de danos não é risco zero

Os pesquisadores reforçam que os vaporizadores não são isentos de riscos, já que a nicotina pode elevar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial. Contudo, os impactos cardiovasculares observados são substancialmente menores quando comparados aos danos provocados pela queima da folha do tabaco.

Referência

FEARON, Ian M.; STEVENSON, Matthew; NAHDE, Thomas. A Narrative Review of the Potential Impact of Next-Generation Tobacco and Nicotine Products on Cardiovascular Health. Cureus, v. 18, n. 7, e111861, 1 jul. 2026. DOI: 10.7759/cureus.111861
. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42389254/. Acesso em: 30 jul. 2026.

Outros artigos

Em revisão científica, pesquisador avalia perfil de risco dos sachês de nicotina e defende regulação pautada em evidências

Estudo publicado na Internal and Emergency Medicine avalia os sachês de nicotina, destacando seu baixo risco relativo comparado ao cigarro. O autor defende regulação pautada em evidências científicas e controle efetivo de vendas.

África do Sul debate nova lei do tabaco após ex-ministro rever posição sobre produtos sem combustão

A África do Sul debate uma nova lei do tabaco. O ex-vice-ministro da Saúde, Sibongiseni Dhlomo, mudou de posição após audiências públicas e agora defende a diferenciação regulatória para produtos sem combustão, reconhecendo que os maiores danos decorrem da queima do tabaco.

Plataforma internacional lança curso gratuito sobre redução de danos do tabagismo voltado a países em desenvolvimento

A THR Academy lançou um curso online e gratuito sobre Redução de Danos do Tabagismo (THR). A formação assíncrona busca capacitar profissionais e gestores de países em desenvolvimento com evidências científicas, promovendo soluções práticas e certificado de conclusão aos participantes.

Estudo internacional avalia os efeitos indiretos da redução de danos do tabagismo no ambiente familiar

Levantamento realizado pelo instituto Ipsos em cinco países analisa os efeitos da transição para produtos sem combustão na qualidade de vida e na dinâmica de convivência dos lares.

Estudos associam uso de vapes a menor risco de morte em pacientes com câncer e à redução na exposição a substâncias cancerígenas

Pesquisa da ASH de 2026 revela que a distorção sobre riscos leva 19% dos britânicos a voltarem ao cigarro convencional em suas tentativas de parar de vapar.

Quase 20% dos adultos recorrem ao cigarro convencional para tentar deixar o vape, aponta pesquisa

Pesquisa da ASH de 2026 revela que a distorção sobre riscos leva 19% dos britânicos a voltarem ao cigarro convencional em suas tentativas de parar de vapar.

Newsletter

- Receba notícias em seu email

- Não compartilhamos emails com terceiros

- Cancele quando quiser

Últimas notícias

Reino Unido inicia discussões que podem colocar à prova seu legado de redução de danos do tabagismo

O governo britânico propôs restrições rigorosas em embalagens e exibição de vaporizadores para conter o uso juvenil. Especialistas alertam, porém, que tais medidas podem equiparar visualmente vapes ao cigarro tradicional, desestimulando fumantes adultos de buscarem alternativas menos prejudiciais e fortalecendo o mercado ilegal.

Proibição de vapes descartáveis no Reino Unido: um ano depois, tabagismo cresce e mercado ilegal dispara

A proibição dos vapes descartáveis no Reino Unido, após um ano, apresentou limitações em reduzir o uso de nicotina. A medida impulsionou o mercado ilegal e elevou as taxas de tabagismo, com usuários retornando ao cigarro convencional por falta de alternativas acessíveis.

Presidente da Confederação Nacional da Indústria propõe fim da proibição de cigarros eletrônicos

Antonio Alban, presidente da CNI, declara em entrevista que não há justificatica para que cigarros eletrônicos continuem proibidos, sem regulamentação.

Guerra aos vapes: como a proibição da nicotina fortalece o crime organizado internacional

A tentativa de banir o consumo de nicotina por meio de leis proibitivas abriu as portas para uma crise sem precedentes de segurança e saúde pública. A restrição fortalece o crime organizado internacional, criando mercados ilícitos sem qualquer controle de qualidade ou fiscalização.

FDA autoriza marca de sachês de nicotina a alegar menor risco que o cigarro

É a primeira vez que uma marca de sachês de nicotina recebe esse tipo de autorização em qualquer país. A decisão também alimenta o debate regulatório brasileiro, já que a Anvisa conduz atualmente uma consulta pública sobre produtos de nicotina sem combustão.