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Entenda como funciona o controle de temperatura

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Tempo de leitura: 7 minutos

Praticamente todos os aparelhos regulados possuem a função de controle de temperatura, porém é uma tecnologia não muito autoexplicativa o que pode levar pessoas ao erro e infelizmente isso pode ser potencialmente perigoso.

O objetivo do controle de temperatura é permitir uma experiência diferente enquanto garante uma segurança maior no consumo, mas para isso é preciso entender algumas coisas.

NÃO EXISTE CONTROLE DE TEMPERATURA

Pois é, apesar do nome, não existe nenhum medidor ou sensor de temperatura em seu vape, a medição é feita por associação, mas para entender é primeiro necessário saber duas características físicas dos metais.

A primeira é a resistência elétrica. Todo material (metal ou não) possui uma, por maior ou menor que seja. É por isso que fios elétricos são de cobre, pois é um metal barato que transfere energia de forma eficiente porque sua resistência elétrica é bem baixa, ele “resiste” pouco aos elétrons, deixando que passem livremente. Já se quisermos não deixar a eletricidade passar, usamos borracha, que tem uma altíssima resistência elétrica, não deixando os elétrons passar e portanto evitando que a gente tome choque.

A segunda característica importante dos metais é que essa resistência não é fixa, ela muda de acordo com a temperatura do fio. Damos o nosso disso de TCR que significa Temperature Coefficient of Resistance ou Coeficiente de Temperatura da Resistência. Se ele esquenta ou esfria a resistência aumenta ou diminui. É essa associação que o controle de temperatura do vape faz.

Então na verdade temos um “controle de resistência” e não “controle de temperatura”.

Os aparelhos de vaping verificam a resistência das coils o tempo todo e associam a uma temperatura. Mas eles só podem fazer isso se você informar duas coisas ao aparelho: o tipo do metal e a temperatura ambiente.

É por isso que é tão importante usar o modo correto dependendo do material do fio e também “travar” a resistência fria, para que o aparelho tenha um ponto de partida adequado e possa fazer os cálculos corretos.

Para exemplificar, digamos que um fio de aço inox tenha 0.10 ohms em temperatura ambiente. Se aplicarmos uma corrente elétrica neste fio ele vai esquentar e caso chegue a 100º C ele passará a ter 0.15 ohms, com 200º C ele subirá para 0.20 ohms e assim por diante. 

Agora, se o aparelho não estiver configurado corretamente, a leitura será feita de forma errada, podendo queimar o seu algodão ou não apresentar a temperatura adequada.

Isso quer dizer que o mod não sabe a temperatura da coil, pois não há nenhum sensor dentro do atomizador. O que ele lê é a resistência do fio e de acordo com esses cálculos ele faz uma estimativa da temperatura.

Nesta tabela é possível verificar a diferença entre os materiais. Enquanto no Kanthal A1 a resistência sofre uma alteração de apenas 0.04% quando passa de 20º C (temperatura ambiente) para 200º C (quando o mod é acionado) contra mais de 100% de mudança no caso do níquel, mais do que dobrando sua resistência quando passa pelo mesmo processo. É por isso que não é possível usar Kanthal no modo controle de temperatura, o mod simplesmente não consegue identificar mudanças tão pequenas na resistência a ponto de estimar a temperatura do fio, portanto é preciso usar no mínimo aço inox que possui uma variação muito maior.

BENEFÍCIOS

Alguns potenciais riscos que podem ser produzidos em um vape provém do excesso de calor produzido na coil. Um dos compostos nocivos são os formaldeídos que ocorrem através do “dry-hit” termo usado quando acionamos o aparelho com o algodão seco e sentimos gosto de algodão queimado. Isso não acontece com o controle de temperatura pois caso o aparelho identifique uma brusca variação na resistência, sinal de que o algodão está seco, ele não aciona.

Outra grande preocupação é a acroleína, uma toxina produzida pela decomposição da glicerina vegetal (conhecida como VG – Vegetable Glycerin) quando passa dos 280º Celsius. Lembrando que o ponto de ebulição da VG é de 290º Celsius, que é a razão pela qual não se recomenda utilizar líquidos que sejam 100% VG. Adicionando um pouco de Propilenoglicol se reduz a temperatura de vaporização abaixo do ponto em que a acroleína poderia ser produzida. Em estudos sobre a fumaça do cigarro normal, a acroleína foi a principal contribuinte para os males à saúde não ligados à agentes cancerígenos.

Além disso, cinamaldeído, mais conhecido como sabor de canela nos líquidos para vaporar, é um químico muito próximo da acroleína e o excesso de calor pode catalisá-lo para a acroleína, o que pode ser o motivo do qual alguns recentes estudos em tecidos de pulmão de ratos mostraram que o vapor de canela apresentou uma toxicidade maior do que líquidos sem sabor.

Portanto podemos concluir que o excesso de temperatura não é algo que queremos e o controle de temperatura nos dá um aumento de segurança quando permite limitar a temperatura do vapor.

TIPOS DE FIOS E SEU USO NO CONTROLE DE TEMPERATURA

No vapor são utilizados diversos tipos de fios, alguns podem ser usados no controle de temperatura, outros não, vamos à eles:

Kanthal ou FeCrAl ou Nichrome são os tipos mais comuns e tem poucas mudanças entre si. Estes devem ser usados apenas no modo POWER pois sua variação de resistência é mínima.

Níquel puro ou Ni200 é um fio com pouquíssima resistência e grande variação quanto aplicada corrente, o que o torna ideal para o controle de temperatura, mas jamais deve ser usado no modo POWER pois neste modo há degradação do material com potencial de criar compostos nocivos. Existe uma pequena chance de alergia e há preocupações com a contaminação do metal no vapor inalado.

Titânio é muito parecido com o níquel porém apresenta uma resistência maior, além de esquentar e esfriar mais rapidamente. Também não pode ser usado em modo POWER pois cria o dióxido de titânio o que é bem ruim de inalar. Titânio pode pegar fogo, um fogo que nenhum extintor comum vai conseguir apagar, sendo necessário um extintor classe D que praticamente ninguém tem em casa.

Aço Inoxidável (ou SS de Stainless Steel) é o mais prático porque pode ser usado no modo POWER exatamente como Kanthal/FeCrAl/Nichrome quanto no modo de controle de temperatura porque possui variação suficiente quando aplicada corrente para ser usado.

Titânio e níquel praticamente já caíram em desuso e é raro encontrar no mercado por causa das preocupações com a segurança. O aço inox sendo mais seguro e mais barato, não há o porquê utilizar outro tipo de fio. Apesar disso o Kanthal, FeCrAl e Nichrome ainda são amplamente usados.

COMO USAR NA PRÁTICA

Apesar de haver centenas e talvez milhares de diferentes modelos de aparelhos que possuam o controle de temperatura, a sistemática é sempre a mesma. Além do aparelho com a tecnologia, é preciso usar um atomizador que tenha uma coil instalada que seja feita de metal compatível. Como vimos é possível ser de níquel puro, titânio ou preferencialmente aço inox.

As bobinas usadas no vaping, chamadas de “coils”, são fios enrolados como resistências de chuveiro. O valor de resistência de uma coil é definida por 3 fatores: tipo do material, sua temperatura e quantidade de metal total. Este último é definido pela massa total de metal da coil, quanto fisicamente tem de fio, portanto depende da grossura do fio, complexidade (se é simples, trançado ou outros tipos) e quantidade de voltas.

Quanto mais metal na coil, menor é a resistência. Parece ser contra intuitivo (mais material não deveria dar mais resistência?), mas não, é inversamente proporcional e fica claro entender o porquê quando usamos a seguinte analogia.

Se “resistência” é o ato de resistir, portanto o inverso disso é “facilitar”. Resistir ou facilitar a passagem de elétrons (energia). Se imaginarmos que fios metálicos são mangueiras, qual mangueira vai deixar passar mais água, uma longa e fina ou uma curta e comprida?

Portanto, quando mais massa, quando mais área útil para passar água, MENOR será a resistência, pois mais água vai passar. Então, quanto mais metal, mais “caminho” há para os elétrons passarem e menor será a resistência.

Dito isso, sugerimos que sempre use um sistema de coils do mais simples possível e que mire em valore de 0.20 ohm para dar margem suficiente de mudança de resistência para que o mod possa acionar devidamente.

No mercado há todo tipo de coil, algumas extremamente complexas, com misturas de fios, técnicas rebuscadas de trançamento e outras características que aumentam o sabor e as tornam ótimas para o modo POWER, mas tecnicamente só atrapalham o controle de temperatura.

Se quiser entender mais sobre as coils leia este artigo.

Tudo se resume à capacidade do chip de interpretar a variação da resistência e assim determinar por relação qual é a temperatura do fio. Acrescentar complexidade à isso é dificultar o trabalho do chip, resultando em leituras incorretas e até mal funcionamento. Via de regra o ideal é usar apenas uma coil e que seja feita de fio simples, evitando qualquer tipo de coil trançada, Clapton ou outras.

Porém, é entendido também que uma coil mais complexa como as Claptons ou usar mais de uma coil, em um sistema dual coil por exemplo, aumenta a percepção de sabor pela maior quantidade de líquido vaporizado, portanto pode ser interessante fazer testes até encontrar a melhor combinação para você. O objetivo é atingir um equilíbrio entre simplificar o trabalho do chip e assim garantir a boa interpretação da leitura sem perder a chance de conseguir um melhor sabor. Neste quesito sugerimos um par de Claptons de aço inox puro como ponto de partida.

Isso não significa que o controle de temperatura não vá funcionar com coils mais complexas ou sistemas com mais coils, apenas que para obter uma maior eficiência do controle de temperatura, quanto mais simples, melhor.

Uma vez que a coil esteja instalada no atomizador, o chip precisa ser informado do tipo de metal e da sua resistência em temperatura ambiente para ter assim um ponto de partida, é o que muitos modelos consideram “travar a coil”. Como há cálculos e fórmulas matemáticas diferentes para cada tipo de metal, é imprescindível que você informe corretamente o tipo do fio. Se está usando níquel é preciso configurar o aparelho no modo níquel e assim por diante. Desta forma o chip poderá usar este valor como inicial e à partir daí fazer os cálculos necessários para identificar corretamente a temperatura relativa quando houver passagem de corrente e a coil efetivamente esquentar.

Após o travamento da coil, é preciso configurar o aparelho. Normalmente há duas regulagens: a temperatura que será diretamente ligada à temperatura do vapor que podemos referenciar como sendo a velocidade final de um carro. A segunda regulagem é a potência em watts, que podemos referenciar como sendo o quão rápido você quer acelerar para chegar nessa velocidade final (para nós a temperatura) desejada.

POR QUE USAR O CONTROLE DE TEMPERATURA?

Como muitas coisas no vapor, é algo relativo e pessoal. A experiência muda, o tipo de vapor, o volume, a percepção do sabor, tudo fica diferente. Certifique-se apenas de que está utilizando os metais corretos e configurando seu aparelho de forma a não ter potenciais danos.

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