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DIY – Fabricar líquidos para cigarros eletrônicos em casa

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Tempo de leitura: 6 minutos

O termo DIY significa “Do It Yourself” ou “Faça Você Mesmo” e existe há centenas de anos, mas foi difundido nas décadas de 50 e 60 nos EUA, para se referir a produção caseira de algum produto ou objeto. Em relação aos cigarros eletrônicos, o termo DIY se refere à quem fabrica líquidos para consumo próprio.

Uma das vantagens é o menor custo quando comparado aos produtos comerciais, além de um apelo de hobby, muito similar a escolher entre cozinhar em casa ou ir até um restaurante.

Porém o DIY traz algumas preocupações.

O cigarro eletrônico, apesar de ser uma alternativa muito menos prejudicial do que fumar, ainda não é totalmente livre de riscos. Porém os riscos conhecidos são medidos quando há consumo de produtos adequados, fabricados dentro de normas técnicas e diretrizes de segurança. Fabricar seus próprios líquidos fora de um ambiente totalmente controlado, feito por profissionais e fiscalizado por órgãos sanitários, pode oferecer riscos de contaminação, dosagem errada dos ingredientes, principalmente a nicotina, além de utilização de produtos de qualidade inferior ou sem as devidas certificações de segurança e pureza.

Ingredientes de um líquido para vaporizadores

Um líquido para vaporizadores é composto basicamente de 4 substâncias: Glicerina, Propilenoglicol, essências de sabor e opcionalmente nicotina. Em países que regulamentaram o comércio e produção de líquidos para cigarros eletrônicos, foram implementadas diretrizes específicas para definir as características de cada componente dos produtos como pureza, composição, entre outros.

Glicerina

A glicerina é conhecida entre os consumidores pela sigla VG, originada do termo em Inglês Vegetable Glycerin que significa Glicerina Vegetal, um composto químico glicerol ou propan-1,2,3-triol orgânico pertencente à função álcool. É líquido à temperatura ambiente, higroscópico, inodoro, viscoso e de sabor adocicado. O nome origina-se da palavra grega glykos, que significa doce.

Ela pode ter origem animal ou vegetal, sendo este último recomendado pelos fabricantes de líquidos comerciais. Sua pureza também é importante para garantir qualidade e segurança, devendo possuir certificação USP o que significa 99% de pureza.

Glicerina é amplamente utilizada em diversos produtos, principalmente cosméticos. Se quiser saber mais sobre a Glicerina, leia este artigo.

Propilenoglicol

Propilenoglicol é mais conhecido pela sigla PG, também chamado pelo nome sistemático propano-1,2-diol, é um composto orgânico, viscoso, de sabor amargo, inodoro e incolor, que é higroscópico e miscível com água. É utilizado de forma segura nos mais variados mercados como hidratante, umectante, corante alimentício, nas pastas de dentes e diversas outras aplicações.

Assim como a Glicerina, também possui diversos níveis de pureza e o mercado de vaporizadores utiliza também Propilenoglicol com padrão de pureza USP.

Essências

Essências são os sabores utilizados para dar gosto aos líquidos. São oferecidas em milhares de opções com diversas composições. O mercado de fabricantes de líquidos para vaporizadores utiliza essências de marcas dos EUA e Europa, não diluídas em álcool etílico.

Um risco para consumidores brasileiros é o uso de essências nacionais, que em sua maioria são diluídas em álcool etílico. Temos um artigo bem completo sobre o assunto neste link. 

Nicotina

Nicotina é uma substância alcaloide básica, líquida e de cor amarela que constitui o princípio ativo do tabaco. Pode causar dependência e é utilizada no líquido para cigarros eletrônicos para substituir a nicotina do cigarro convencional.

Vantagens do DIY

Obviamente é muito mais prático adquirir um produto pronto, já manufaturado com todas as certificações de qualidade e segurança, porém isso oferece um custo. Assim como não é possível viver de restaurantes e de comida entregue em casa, compramos ingredientes e cozinhamos porque é mais barato ou às vezes porque queremos nosso tempero. Muitos consumidores de cigarros eletrônicos optam por fabricar seus próprios líquidos por motivos semelhantes.

Fabricar em casa é muito mais barato do que comprar pronto, em que a diferença por ML pode chegar até 80% mais barata. Também existe uma maior liberdade em poder criar novos sabores, que apelem mais ao seu gosto, que podem não ser oferecidos pelo mercado. Há também a possibilidade de se saber exatamente o que se está consumindo.

Desvantagens do DIY

Fazer os próprios líquidos exige um pouco de conhecimento e estudo, principalmente em relação a correta manipulação e combinação dos ingredientes. É preciso saber a proporção de essências e a combinação de sabores para conseguir um resultado final agradável.

Também é necessário comprar equipamentos de segurança como luvas, óculos, máscara e outros, além de produtos para melhor manipular os ingredientes como frascos, seringas e balanças de precisão.

Também há dificuldade em obter alguns ingredientes, principalmente a nicotina, que não possui a venda permitida no Brasil para o público final, mas é facilmente encontrada no mercado ilegal. A dúvida em relação a qualidade dessa nicotina é a principal preocupação.

Riscos do DIY

Assim como cozinhar em casa, fabricar os próprios líquidos para cigarros eletrônicos também oferece riscos, alguns preocupantes.

Em relação à Glicerina e o Propilenoglicol, o maior risco está na escolha de produtos sem pureza adequada, podendo apresentar graxas, metais pesados e outros subprodutos indesejáveis e não indicados para consumo humano.

Nas essências de sabor o problema está no álcool, presente na maioria dos essências alimentícias fabricadas no Brasil, portanto não indicadas para consumo nos cigarros eletrônicos.

Mas sem dúvida alguma a nicotina é o principal motivo de preocupação. O DIY obriga o consumidor que deseja fabricar líquidos com nicotina a lidar diretamente com a substância em sua forma concentrada, que é tóxica. Em contato com a pele, olhos ou mucosas pode causar intoxicação e overdose, resultando em enjoos, dores de cabeça e até desmaios.

Mesmo que seja utilizada com segurança, existe ainda o risco da nicotina ser de baixa qualidade ou estar contaminada, pois é comum a venda de forma fracionada pelo mercado ilegal, sem qualquer garantia de higiene na manipulação do envase.

Por último, ao fabricar seus líquidos, a dosagem de nicotina do líquido pronto torna-se sua responsabilidade e caso ocorra um cálculo errado ou um erro de manipulação, o produto final pode ter uma dose muito grande de nicotina, que pode também causar intoxicação e overdose.

Dicas para quem quer fazer DIY

Não recomendamos que a prática de DIY nos cigarros eletrônicos seja feita enquanto não há no Brasil uma regulamentação para o comércio de cigarros eletrônicos. Muitos materiais necessários para fazer os líquidos são oriundos de um mercado sem qualquer controle ou vigilância sanitária, então os riscos são indefinidos.

Mas se você realmente deseja começar a fazer você mesmo, deixamos algumas dicas para que faça com mais segurança:

  • Busque conhecimento de onde comprar, com consumidores que já praticam o DIY;
  • Utilize sempre material de proteção como óculos, luvas e máscara;
  • Higienize o ambiente e o material que será usado para misturar os ingredientes. Use seringas descartáveis e faça a higienização de qualquer recipiente que será utilizado;
  • Mantenha um ambiente organizado para evitar acidentes;
  • Lide com a nicotina com extremo cuidado e não tenha contato direto com a substância. Se cair na pele lave imediatamente, em caso de contato com os olhos lave com água abundante e caso ocorra irritação procure um médico imediatamente;
  • Tenha muito cuidado para misturar corretamente os ingredientes, na quantidade certa, principalmente a nicotina.

Esterilização de vidros

Se você vai utilizar vidros, é indicado que faça a esterilização, para isso podem ser usados alguns métodos:

Na panela de pressão

Usar um pano de algodão limpo (novo de preferência) para forrar o fundo de uma panela. Dispor os potes sobre o pano e cobrir completamente com água. Deixar ferver por 10 minutos.

A função do pano é proteger os potes do contato com o fundo da panela. Também é possível usar um outro pano entre os vidros para separá-los e evitar que se choquem ao se agitarem com a fervura. É importante saber que nunca deve colocar os vidros frios na água já fervente, porque eles podem rachar com o choque térmico.

Retirar os potes com a ajuda de uma pinça de cozinha ou outro pegador e deixar que escorram sobre papel-toalha.

A água que ficar acumulada dentro do pote enquanto ele escorre pode ser facilmente eliminada usando a pinça para virar o recipiente e deixar a água cair. Mesmo que pareça tentador, não use o pano de prato para enxugar, porque ele pode carregar sujeira para o vidro que acabou de ser esterilizado. A mesma coisa para o manuseio com as mãos: elas devem estar limpas para pegar nos potes depois de esterilizados.

Deve ser feito o mesmo procedimento com as tampas, mas elas não precisam ferver por tanto tempo, bastando cerca de 5 minutos.

Para esterilizar frascos de vidro no forno

Arrumar os potes e tampas sobre uma assadeira, com a boca para cima. Levar para secar em forno baixo (a 110°C), por cerca de dez minutos. A temperatura não pode ser mais alta porque nem todo vidro vai resistir ao calor intenso, podendo rachar.

Esterilização de metais de aço inoxidável

Um excelente vídeo sobre o assunto pode ser visto abaixo, a técnica é parecida com a utilizada para vidros com a panela de pressão.

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