Examinando disparidades socioeconômicas entre usuários de cigarros eletrônicos e fumantes de cigarros em três jurisdições canadenses

Publicado:

Tempo de leitura: < 1 minuto

Trabalho de Sarah MacDougall, Mark Asbridge

Artigo original: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/dar.13988

Abstrato

Introdução: Está bem estabelecido que existe um gradiente entre os fumantes de cigarros, de modo que o tabagismo é mais prevalente entre indivíduos de status socioeconômico (SES) mais baixo. Neste estudo, examinamos se um gradiente socioeconômico semelhante existe entre jovens e adultos usuários de cigarros eletrônicos (e-cigarros) em três jurisdições canadenses.

Métodos: Foi realizada uma análise secundária dos dados de respondentes de Ontário, Quebec e Yukon (n = 58.592) da Pesquisa Canadense de Saúde Comunitária de 2017-2018. Modelos de regressão logística não ajustados e ajustados exploraram as medidas de SES: renda total e relativa do domicílio e nível de escolaridade, separadamente, sobre o uso de cigarros eletrônicos ou cigarros nos últimos 30 dias. Os modelos foram ajustados para covariáveis sociodemográficas e psicossociais adicionais.

Resultados: Foi identificado um gradiente socioeconômico inverso significativo para o tabagismo, com base nas variáveis de escolaridade e renda, em que níveis mais altos de educação e renda estavam associados à diminuição do consumo de maneira progressiva. Nenhum gradiente socioeconômico foi observado para o uso de cigarros eletrônicos.

Discussão e conclusões: Embora tenha sido observado um gradiente socioeconômico robusto entre fumantes de cigarros, nenhum gradiente foi identificado para o uso de cigarros eletrônicos. As explicações para esses achados podem estar relacionadas à percepção de que os cigarros eletrônicos são mais saudáveis, possuem designs convenientes, sabores atraentes e são menos estigmatizados. À medida que se conhece mais sobre os possíveis danos dos cigarros eletrônicos, intervenções eficazes podem ser necessárias para evitar o surgimento de um gradiente que afete desproporcionalmente aqueles com menores níveis de renda e educação. O monitoramento contínuo dos padrões de uso de cigarros eletrônicos entre grupos socioeconômicos é necessário para a saúde pública.

Outros artigos

A Inglaterra quer acabar com o cigarro, mas não com a nicotina

O Reino Unido aprovou recentemente uma das políticas mais ambiciosas de controle do tabagismo já adotadas no mundo. A nova legislação, conhecida como Tobacco...

Estudo confirma (novamente) que vapes com nicotina são a forma mais eficaz para se parar de fumar

Revisão científica mostra que cigarros eletrônicos com nicotina são mais eficazes para parar de fumar do que terapias tradicionais, reforçando o papel da redução de danos nas políticas de saúde pública.

Uma lição sobre regulação vs. proibição vem de um lugar inesperado: as prisões de Oklahoma

Proibição do tabaco em prisões de Oklahoma gerou mercado ilegal e violência. Estado passou a permitir vapes e nicotina regulada, mostrando que regular controla melhor do que proibir.

Estudo brasileiro que associava vape ao câncer é retratado e gera constrangimento acadêmico internacional

Retratação ocorreu após críticas de especialistas internacionais que apontaram falhas metodológicas e interpretações questionáveis dos dados.

O FMI reconhece: impostos sobre nicotina devem refletir o risco real de cada produto

Um artigo do Fundo Monetário Internacional afirma que impostos sobre produtos nocivos devem refletir o grau de dano que causam. No caso da nicotina, isso significa tributar alternativas de menor risco — como vape, tabaco aquecido e sachês de nicotina — abaixo do cigarro, preservando a diferença de preço que incentiva fumantes a migrar para opções menos nocivas.

Brasil está perdendo a batalha contra o tabagismo

Brasil tinha menos fumantes que a Nova Zelândia em 2011. Hoje tem 11,6% e vê alta. A NZ caiu para 6,8% após adotar redução de danos e regulação de alternativas para o consumo de nicotina com risco reduzido.

Newsletter

- Receba notícias em seu email

- Não compartilhamos emails com terceiros

- Cancele quando quiser

Últimas notícias

França reconhece vapes como alternativa muito menos nociva ao cigarro

Relatório da agência francesa confirma que vapes são muito menos nocivos que cigarros. Enquanto a França avança na regulação baseada em risco, o Brasil mantém uma proibição que não resolveu o problema.

Saches de nicotina e o desafio da regulação

Saches de nicotina começam a chegar ao Brasil e reacendem o debate sobre riscos e regulação. Entenda o que diz a ciência e por que a diferenciação de produtos é central para a política pública.

Cigarros eletrônicos no Brasil: da proibição à disputa institucional sobre regulamentação e fiscalização

Duas iniciativas recentes evidenciam que não há consenso dentro do próprio Ministério Público Federal sobre como lidar com os cigarros eletrônicos no Brasil.

“Reverse Spin Bias”: quando pesquisadores menosprezam a própria evidência

Um fenômeno novo, cientistas estão encontrando boas notícias, mas trazendo conclusões negativas ou se recusando a comentar sobre temas polêmicos.

Nicotina não causa grandes males à saúde

Síntese baseada em pesquisas científicas, dados populacionais e análises acadêmicas sobre a nicotina, seus efeitos e o uso em produtos sem combustão, com foco em informação qualificada e debate público.