Eficácia dos cigarros eletrônicos para a cessação do tabagismo em populações com transtornos psiquiátricos e/ou problemas com o uso de substâncias: Uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado

Publicado:

Tempo de leitura: 3 minutos

Trabalho de Stéphanie Baggio, Philip Bruggmann, Anna Schoeni, Nazanin Abolhassani, Kali Tal, Susanne Pohle, Anja Frei, Jean-Paul Humair, Isabelle Jacot-Sadowski, Janine Vetsch, Luca Lehner, Anna Rihs, Laurent Gétaz, Aurélie Berthet, Moa Haller, Mirah Stuber, Julian Jakob, Reto Auer

Artigo original: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39902147/

Abstrato

Introdução: Pessoas com transtornos psiquiátricos e de uso de substâncias têm maior probabilidade de fumar e menor probabilidade de parar de fumar do que fumantes da população geral. Avaliamos a eficácia dos cigarros eletrônicos na abstinência do tabagismo em pessoas com esses problemas.

Métodos: Analisamos dados do ensaio clínico maior denominado “Eficácia, Segurança e Toxicologia dos Dispositivos Eletrônicos para Administração de Nicotina (ENDS) como Auxílio para a Cessação do Tabagismo” (ESTxENDS) (n=1246). O grupo de intervenção recebeu cigarros eletrônicos e líquidos eletrônicos, além de aconselhamento padrão para cessação do tabagismo (SOC) por 6 meses; o grupo controle recebeu apenas SOC e um voucher. O desfecho primário foi a abstinência contínua autorrelatada e validada bioquimicamente aos 6 meses. Os desfechos secundários incluíram a abstinência autorrelatada aos 6 meses e nos últimos 7 dias. Calculamos os riscos relativos ajustados (ARR) para duas subamostras que atendiam às seguintes condições na visita inicial: 1) uso de medicação psicotrópica e 2) uso problemático de substâncias ou poliuso de substâncias.

Resultados: Entre os participantes que usavam medicação psicotrópica (n=239), o ARR para abstinência validada foi de 2,62 (IC 95%: 1,40-4,90) no grupo de intervenção em comparação ao grupo controle, 2,95 (IC 95%: 1,72-5,07) para abstinência autorrelatada em 6 meses e 2,96 (IC 95%: 1,92-4,55) para abstinência nos últimos 7 dias. Já entre os participantes com uso problemático de substâncias ou poliuso de substâncias (n=818), o ARR foi de 1,57 (IC 95%: 1,20-2,04), 1,42 (IC 95%: 1,15-1,74) e 1,53 (IC 95%: 1,31-1,79), respectivamente.

Conclusões: A adição de cigarros eletrônicos ao aconselhamento padrão aumentou a probabilidade de abstinência do tabagismo entre participantes com transtornos psiquiátricos e problemas com o uso de substâncias. No entanto, estudos maiores são necessários para testar a eficácia e a segurança dessas intervenções para a cessação do tabagismo nessa população frequentemente marginalizada.

Abstrato

Os autores preencheram e enviaram um formulário ICMJE para Divulgação de Potenciais Conflitos de Interesse. Eles declaram não ter interesses concorrentes, financeiros ou de outra natureza, relacionados a este estudo. S. Baggio informa que recebeu financiamento da Fundação Nacional Suíça para a Ciência (números dos auxílios: 212581, 221381, 10000272). M. L. Haller informa que recebeu um financiamento do programa Young Talent Clinical Research, da SAMW. I. Jacot-Sadowski informa que recebeu financiamento da Fundação Nacional Suíça para a Ciência (SNSF) (número do auxílio: IICT_33IC30_173552), do Fundo Suíço de Prevenção ao Tabagismo (TPF) (número do auxílio: 19.017477), da Pesquisa Suíça do Câncer (SCR) (número do auxílio: KFS4744-02-2019) e da organização Lunge Zürich. Também informa que o Escritório Federal de Saúde Pública da Suíça, a Associação Médica Suíça (FMH) e a Université Paris-Saclay fizeram pagamentos à sua instituição. Além disso, foi palestrante no Congresso da Société francophone de Tabacologie, e o pagamento foi feito à sua instituição. Ela também copresidiu o Grupo Suíço de Especialistas em Cessação do Tabagismo e Nicotina, e o pagamento foi feito à sua instituição. Também foi membro do comitê das recomendações suíças EviPrev para prevenção na prática médica, com pagamento feito à sua instituição. A. Berthet informa que recebeu financiamento da Fundação Nacional Suíça para a Ciência (SNSF) (número do auxílio: IICT_33IC30_173552), do Fundo Suíço de Prevenção ao Tabagismo (TPF) (número do auxílio: 19.017477) e da Pesquisa Suíça do Câncer (SCR) (número do auxílio: KFS4744-02-2019). Também recebeu auxílios ou contratos do Escritório Federal de Saúde Pública (FOPH), do Departamento de Saúde Pública do Cantão de Vaud (DGS), da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) e da Universidade de Lausanne (UNIL), além de financiamento do Centro Suíço de Toxicologia Humana Aplicada (SCAHT).

Outros artigos

Estudo confirma (novamente) que vapes com nicotina são a forma mais eficaz para se parar de fumar

Revisão científica mostra que cigarros eletrônicos com nicotina são mais eficazes para parar de fumar do que terapias tradicionais, reforçando o papel da redução de danos nas políticas de saúde pública.

Uma lição sobre regulação vs. proibição vem de um lugar inesperado: as prisões de Oklahoma

Proibição do tabaco em prisões de Oklahoma gerou mercado ilegal e violência. Estado passou a permitir vapes e nicotina regulada, mostrando que regular controla melhor do que proibir.

Estudo brasileiro que associava vape ao câncer é retratado e gera constrangimento acadêmico internacional

Retratação ocorreu após críticas de especialistas internacionais que apontaram falhas metodológicas e interpretações questionáveis dos dados.

O FMI reconhece: impostos sobre nicotina devem refletir o risco real de cada produto

Um artigo do Fundo Monetário Internacional afirma que impostos sobre produtos nocivos devem refletir o grau de dano que causam. No caso da nicotina, isso significa tributar alternativas de menor risco — como vape, tabaco aquecido e sachês de nicotina — abaixo do cigarro, preservando a diferença de preço que incentiva fumantes a migrar para opções menos nocivas.

Brasil está perdendo a batalha contra o tabagismo

Brasil tinha menos fumantes que a Nova Zelândia em 2011. Hoje tem 11,6% e vê alta. A NZ caiu para 6,8% após adotar redução de danos e regulação de alternativas para o consumo de nicotina com risco reduzido.

França reconhece vapes como alternativa muito menos nociva ao cigarro

Relatório da agência francesa confirma que vapes são muito menos nocivos que cigarros. Enquanto a França avança na regulação baseada em risco, o Brasil mantém uma proibição que não resolveu o problema.

Newsletter

- Receba notícias em seu email

- Não compartilhamos emails com terceiros

- Cancele quando quiser

Últimas notícias

Saches de nicotina e o desafio da regulação

Saches de nicotina começam a chegar ao Brasil e reacendem o debate sobre riscos e regulação. Entenda o que diz a ciência e por que a diferenciação de produtos é central para a política pública.

Cigarros eletrônicos no Brasil: da proibição à disputa institucional sobre regulamentação e fiscalização

Duas iniciativas recentes evidenciam que não há consenso dentro do próprio Ministério Público Federal sobre como lidar com os cigarros eletrônicos no Brasil.

“Reverse Spin Bias”: quando pesquisadores menosprezam a própria evidência

Um fenômeno novo, cientistas estão encontrando boas notícias, mas trazendo conclusões negativas ou se recusando a comentar sobre temas polêmicos.

Nicotina não causa grandes males à saúde

Síntese baseada em pesquisas científicas, dados populacionais e análises acadêmicas sobre a nicotina, seus efeitos e o uso em produtos sem combustão, com foco em informação qualificada e debate público.

OMS e Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco: exclusão da sociedade civil em favor de interesses industriais e bilionários

Jindřich Vobořil, negociador de alto nível em fóruns da ONU, denuncia exclusões institucionais, assimetrias de poder e impactos sobre a formulação de políticas públicas globais pela OMS.