Burocratas da Organização Mundial da Saúde contrários ao vape ganham salários milionários

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Um novo relatório revela um contraste chocante: enquanto milhões de pessoas continuam fumando e enfrentando barreiras ao acesso a alternativas mais seguras, altos funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS) recebem salários milionários, superiores até ao de líderes como o Primeiro-Ministro do Reino Unido e o Presidente da França, para continuar uma política proibitiva que ignora a Redução dos Danos do Tabagismo (RDT).

De acordo com dados recém-divulgados pela própria OMS e reportados pelo site Clearing the Air, cinco integrantes do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (FCTC) recebem salários que ultrapassam os de chefes de Estado europeus.

A funcionária mais bem paga (presumivelmente Adriana Blanco Marquizo, chefe do secretariado) recebe cerca de US$ 300 mil por ano, o equivalente a R$ 1,68 milhão ou R$ 140 mil reais por mês. O valor supera o salário do Primeiro-Ministro britânico e do Presidente francês, ambos recebendo aproximadamente US$ 230 mil ou quase R$ 1,30 milhão por ano (cerca de R$ 108 mil reais por mês).

Os outros quatro altos funcionários ganham mais de US$ 244 mil cada, ou seja, cerca de R$ 1,36 milhão anuais. Mesmo o funcionário de nível mais baixo no setor recebe quase US$ 97 mil anuais (cerca de R$ 543 mil), valor três vezes superior à média salarial do Reino Unido e mais de 130 vezes o rendimento médio de países pobres como o Sudão.

No total, o orçamento solicitado pelo secretariado para 2026 prevê mais de US$ 8,5 milhões para apenas 19 funcionários, o que equivale a R$ 47,6 milhões, consumindo cerca de 70% das contribuições dos países-membros. O Reino Unido, por exemplo, aportou quase US$ 500 mil (R$ 2,8 milhões) apenas em 2024-2025; a Alemanha, US$ 700 mil (R$ 3,9 milhões); e a França, US$ 500 mil (R$ 2,8 milhões).

Especialistas reagiram com indignação. Richard Pruen, cofundador do Safer Nicotine Wiki, chamou a situação de “exploração da miséria dos fumantes”. Já Mark Oates, diretor da organização britânica WeVape, classificou como “ultrajante” que dinheiro público financie burocratas que “ganham mais do que primeiros-ministros, enquanto tentam proibir os produtos que realmente reduzem o tabagismo”.

Esses dados revelam uma contradição grave: em vez de apoiar soluções práticas e baseadas em ciência, como a regulamentação dos cigarros eletrônicos e outros produtos de nicotina de menor risco, o secretariado da FCTC parece mais preocupado em manter uma estrutura cara e distante da realidade dos fumantes.

Enquanto países como o Reino Unido e a Nova Zelândia adotam a redução de danos do tabagismo como política de saúde pública, a OMS insiste em campanhas de proibição e restrição que deixam milhões de pessoas sem alternativas seguras. A situação fica ainda mais preocupante quando vemos que recursos que poderiam apoiar países de baixa e média renda acabam sendo consumidos por salários milionários de burocratas.

A verdadeira prioridade deveria ser ajudar pessoas que fumam a migrar para opções comprovadamente menos prejudiciais, salvando vidas e reduzindo custos na saúde pública. Transparência, responsabilidade e alinhamento com a ciência são essenciais, não privilégios financiados pelo sofrimento de quem fuma.

A denúncia mostra que a luta contra o tabagismo não pode ser sequestrada por interesses burocráticos. A regulamentação dos cigarros eletrônicos é uma necessidade urgente, e cabe à sociedade cobrar que organismos internacionais usem seus recursos para salvar vidas, não para inflar salários.

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