A persistência do mercado ilegal de cigarros eletrônicos no Brasil voltou ao centro do debate macroeconômico, desta vez sob a perspectiva da principal liderança industrial do país. Durante a última edição do programa Canal Livre, exibido no domingo (12) pela Rede Bandeirantes, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Antonio Ricardo Alvarez Alban, questionou a eficácia do atual banimento mantido pelo Governo Federal, sugerindo que a regularização controlada é o caminho técnico para sanar gargalos fiscais e sanitários.
Conteúdo
Qual é o argumento econômico por trás da defesa da regularização?
O debate sobre as alternativas de nicotina surgiu quando a bancada do programa (mediada por Adriana Araújo e integrada por Fernando Mitre, Juliana Rosa e Fernando Schüler) questionou os rumos para o equilíbrio das contas públicas. Diante da possibilidade de um ajuste fiscal focado unicamente no aumento de impostos sobre quem já está na formalidade, o líder da CNI apontou que a saída sustentável envolve trazer racionalidade a setores que operam inteiramente na ilegalidade.
Como modelo prático de falha regulatória, Alban destacou o mercado paralelo de cigarros eletrónicos e questionou os motivos de o produto ainda não ser regulamentado no país sob a justificativa da saúde. De acordo com o presidente da entidade, a comercialização de milhões de unidades ocorre sem qualquer tipo de controle fitossanitário, o que acaba por alimentar canais comerciais informais e fomentar redes de criminalidade através da venda clandestina.
A análise do setor produtivo reforça essa visão ao apontar que a ausência de fiscalização desprotege o consumidor e afasta dos cofres públicos dezenas de milhões de reais em arrecadação direta, transferindo o faturamento do mercado interno para redes de contrabando transfronteiriço.
Quem é a liderança industrial que trouxe o tema à rede nacional?
À frente da CNI desde outubro de 2023, com mandato vigente até 2027, Antonio Ricardo Alvarez Alban possui formação em engenharia mecânica e administração de empresas. Empresário baiano com sólida atuação no setor de alimentos, ele presidiu a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) por nove anos antes de assumir a representação máxima da indústria.
A relevância de seu posicionamento reflete o tamanho da entidade que lidera, pois a CNI une as 27 federações estaduais e mais de um milhão de companhias. Trata-se de um ecossistema estratégico que responde por cerca de 23% do PIB brasileiro e sustenta mais de 11 milhões de empregos formais, servindo como um termômetro decisivo para a tomada de decisões perante o poder público.
Quais outros temas macroeconômicos foram abordados na sabatina?
Embora o exemplo dos dispositivos regulados tenha ganhado força na discussão sobre governança fiscal, a entrevista cobriu uma agenda ampla de preocupações que afetam o panorama atual da economia às vésperas do cenário eleitoral.
Alban detalhou as tratativas institucionais contra os recentes tarifaços norte-americanos sobre manufaturados do Brasil, as pressões decorrentes das taxas de juros elevadas sobre o mercado de crédito, os primeiros resultados práticos da Nova Indústria Brasil (NIB), além de debates profundos sobre inovação e a viabilidade da transição da jornada de trabalho na escala 6×1.
Como o posicionamento da CNI impacta o debate regulatório?
A abordagem estritamente técnica conferida pela presidência da CNI insere um indicador econômico de peso no cenário nacional. Sob a ótica industrial, substituir a restrição absoluta por uma regulação proporcional (baseada na verificação de insumos, fixação de padrões laboratoriais claros e fiscalização rígida nos canais de venda) retira uma demanda consumidora consolidada da clandestinidade jurídica.
O alinhamento sugerido demonstra que ordenar o mercado e proteger consumidores adultos converge diretamente com premissas fundamentais de inteligência fiscal e conformidade econômica.
Você também pode conferir os recortes e a análise em vídeo desse trecho da entrevista diretamente no perfil do Instagram do VaPorAqui.


