Um método validado de extração de amostras de saliva e soro em uma única etapa para análise de nicotina, cotinina e 3′-hidroxicotinina por LC-MS/MS em estudos clínicos sobre vaping

Publicado:

Tempo de leitura: 2 minutos

Trabalho de Vera van der Velpen, Evangelia Liakoni, Mats B Hirt, Celina M Vonwyl, Samuel E Christen, Urs Duthaler, Peyton Jacob, Manuel Haschke

Artigo original: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39919465/

Abstrato

Introdução: Quantificar baixas concentrações de nicotina e seus metabólitos em biofluidos é um desafio devido à contaminação ambiental por nicotina. No entanto, a quantificação precisa dessas concentrações é crucial para estudos sobre sistemas eletrônicos de entrega de nicotina (ENDS) que utilizam e-líquidos com diferentes teores de nicotina.

Métodos: Desenvolvemos um método LC-MS/MS para quantificar nicotina, cotinina e 3′-hidroxicotinina (3-OH-cotinina) em soro e saliva para análises farmacocinéticas (PK) e estudos em larga escala.

Resultados: Para garantir uma cromatografia confiável e reduzir o trabalho laboratorial, utilizamos cromatografia C18 com extração em uma única etapa, empregando metanol e ZnSO4 0,1 M (4:1, v/v) no soro e metanol a 80% na saliva. A contaminação ambiental por nicotina foi controlada com a implementação de uma coluna de atraso C18, que separou a nicotina presente nas fases móveis da nicotina das amostras. O tempo total de corrida foi de 6 minutos, e os limites inferiores de quantificação foram de 0,5, 0,25 e 0,5 ng/ml para nicotina, cotinina e 3-OH-cotinina, respectivamente, no soro, e 3, 1 e 2 ng/ml na saliva. As curvas padrão em ambos os biofluidos abrangeram até 1000 ng/ml, com valores de R superiores a 0,995. A precisão intra e entre corridas variou de 97,1% a 106,9%, com uma precisão ≤ 10,8%. A validação cruzada de amostras de soro com outro laboratório mostrou boa concordância, com viés de 0,56, -3,0 e -6,5 ng/ml para nicotina, cotinina e 3-OH-cotinina, respectivamente.

Conclusões: A integração de uma coluna de atraso ao método LC-MS/MS mitigou a interferência da nicotina ambiental e facilitou a quantificação de concentrações muito baixas de nicotina e de dois de seus principais metabólitos na saliva e no soro. A cromatografia C18 e a extração em uma única etapa tornam o método estável e adequado para análise de grandes volumes de amostras.

Outros artigos

Estudo confirma (novamente) que vapes com nicotina são a forma mais eficaz para se parar de fumar

Revisão científica mostra que cigarros eletrônicos com nicotina são mais eficazes para parar de fumar do que terapias tradicionais, reforçando o papel da redução de danos nas políticas de saúde pública.

Uma lição sobre regulação vs. proibição vem de um lugar inesperado: as prisões de Oklahoma

Proibição do tabaco em prisões de Oklahoma gerou mercado ilegal e violência. Estado passou a permitir vapes e nicotina regulada, mostrando que regular controla melhor do que proibir.

Estudo brasileiro que associava vape ao câncer é retratado e gera constrangimento acadêmico internacional

Retratação ocorreu após críticas de especialistas internacionais que apontaram falhas metodológicas e interpretações questionáveis dos dados.

O FMI reconhece: impostos sobre nicotina devem refletir o risco real de cada produto

Um artigo do Fundo Monetário Internacional afirma que impostos sobre produtos nocivos devem refletir o grau de dano que causam. No caso da nicotina, isso significa tributar alternativas de menor risco — como vape, tabaco aquecido e sachês de nicotina — abaixo do cigarro, preservando a diferença de preço que incentiva fumantes a migrar para opções menos nocivas.

Brasil está perdendo a batalha contra o tabagismo

Brasil tinha menos fumantes que a Nova Zelândia em 2011. Hoje tem 11,6% e vê alta. A NZ caiu para 6,8% após adotar redução de danos e regulação de alternativas para o consumo de nicotina com risco reduzido.

França reconhece vapes como alternativa muito menos nociva ao cigarro

Relatório da agência francesa confirma que vapes são muito menos nocivos que cigarros. Enquanto a França avança na regulação baseada em risco, o Brasil mantém uma proibição que não resolveu o problema.

Newsletter

- Receba notícias em seu email

- Não compartilhamos emails com terceiros

- Cancele quando quiser

Últimas notícias

Saches de nicotina e o desafio da regulação

Saches de nicotina começam a chegar ao Brasil e reacendem o debate sobre riscos e regulação. Entenda o que diz a ciência e por que a diferenciação de produtos é central para a política pública.

Cigarros eletrônicos no Brasil: da proibição à disputa institucional sobre regulamentação e fiscalização

Duas iniciativas recentes evidenciam que não há consenso dentro do próprio Ministério Público Federal sobre como lidar com os cigarros eletrônicos no Brasil.

“Reverse Spin Bias”: quando pesquisadores menosprezam a própria evidência

Um fenômeno novo, cientistas estão encontrando boas notícias, mas trazendo conclusões negativas ou se recusando a comentar sobre temas polêmicos.

Nicotina não causa grandes males à saúde

Síntese baseada em pesquisas científicas, dados populacionais e análises acadêmicas sobre a nicotina, seus efeitos e o uso em produtos sem combustão, com foco em informação qualificada e debate público.

OMS e Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco: exclusão da sociedade civil em favor de interesses industriais e bilionários

Jindřich Vobořil, negociador de alto nível em fóruns da ONU, denuncia exclusões institucionais, assimetrias de poder e impactos sobre a formulação de políticas públicas globais pela OMS.