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Seminário Internacional de Redução de Danos

Tive a honra de ser convidado a participar como palestrante do “Seminário Internacional de Redução de Danos: Histórico, Atualidade e Perspectivas” que ocorreu na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas – SP no dia 17 de Maio e trago aqui um resumo do evento e dos principais assuntos discutidos.

Primeiro gostaria de agradecer a todos que tornaram essa experiência possível, dando espaço para que a voz dos vapers pudesse ser ouvida em uma oportunidade tão importante para o futuro da regulamentação dos cigarros eletrônicos no Brasil.

Para quem prefere conteúdo em vídeo corra lá pra assistir nosso vídeo do Youtube.

Meu agradecimento à Phillip Morris que sempre lembra de mim para divulgar o vaping brasileiro, a Profa. Dra. Mônica Gorgulho que tão gentilmente me convidou a participar como palestrante, ao pessoal do Ipads – Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social, principalmente a Renata Juliani Frascareli que me ajudou em toda a logística de viagem de última hora para Campinas para participar do evento na Sexta e ainda cumprir minha agenda em Recife no Sábado e também agradeço à Faculdade Mandic que criou um espaço fantástico para podermos discutir um assunto que muito interessa à sociedade.

Fui colocado em pé de igualdade com professores, especialistas, mestres e doutores com currículos do tamanho do meu braço, que me acolheram de forma calorosa e que ofereceram muita informação para um público de cerca de 200 pessoas, compostas principalmente de estudantes, profissionais e interessados na área de saúde pública.

Todo vaper sabe que quando temos profissionais de saúde falando sobre os cigarros eletrônicos em grandes emissoras de TV, sites, jornais e vídeos no Youtube, as coisas não costumam ser muito positivas, dado o despreparo ou até a agenda que algumas dessas pessoas tentam impor para seus próprios interesses. Já estamos escaldados de muita desinformação em que ditos profissionais falam verdadeiras bobagens e simplesmente não conseguem fazer o trabalho de casa, pesquisando minimamente sobre o vaping, ignorando centenas de pesquisas no mundo todo e atacando cegamente algo que não compreendem.

Se posso resumir o evento todo em poucas palavras, devo dizer que temos sim profissionais extremamente competentes fazendo um trabalho que visa ajudar as pessoas a combater danos em suas vidas quebrando paradigmas e adotando ideias mais modernas para tratar dos problemas, principalmente no que concerne o consumo de nicotina. Apesar do grande desafio, temos pessoas do nosso lado.

O evento contou com 4 palestras.

Na primeira, o Prof. Dr. Maurício Fiore, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e editor da Platô: drogas e políticas, uma revista científica da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, falou sobre sua experiência no campo de pesquisas sobre drogas.

Em companhia do moderador Prof. Dr. Thiago Trapé, doutor em Política, Planejamento e Gestão em Saúde, fizeram um painel sobre políticas de saúde em relação às drogas e a forma como o governo se posiciona em relação ao consumo de qualquer uma dessas substâncias.

Na segunda mesa, o Prof. Dr. André Malbergier, médico e doutor em Psiquiatria juntamente com o Moderador Dr. Pedro Farsky, falaram sobre a dicotomia do “tudo ou nada”, a ideia antiga de que é preciso que a pessoa seja completamente abstinente e pare de consumir aquilo que tem um potencial dano, para uma nova abordagem de “se você não consegue/quer parar de usar, use de maneira menos danosa possível”.

Eu participei da terceira mesa de debate em companhia da Profa. Dra. Silvia Cazenave, doutora em Toxicologia que foi inclusive Superintendente de Toxicologia da Anvisa entre 2014 e 2016. A Doutora fez uma excelente apresentação sobre a quebra de paradigma em relação ao tratamento a viciados.

Antigamente o pensamento era exclusivamente o internamento e a abstinência. Hoje, sabe-se que o caminho mais eficaz é o de redução de danos, ajudando a pessoa que não consegue ou não quer parar de consumir algum tipo de substância, a utilizá-la de forma menos destrutiva.

A forma mais clássica que representa esta política de redução de danos é a distribuição de seringas descartáveis para usuários de drogas injetáveis, mas isso não se resume a este tipo de consumo.

Para o viciado em cocaína, ao invés de excluí-lo da sociedade e exigir que o único tratamento seja a institucionalização e abstinência, solução que muitas vezes é ineficaz e em muitos casos o paciente volta a consumir a droga após liberação, a abordagem é indicar a melhor maneira de consumir o produto. Coisas como não utilizar dinheiro enrolado para cheirar cocaína e sim um canudo de plástico e não compartilhá-lo, intercalar as narinas entre um consumo e outro, evitando danos à mucosa nasal, entre outras sugestões.

No caso do tabagismo, pontuou a vantagem de utilizar produtos de entrega de nicotina de risco reduzido como o tabaco aquecido ou os cigarros eletrônicos.

Em minha apresentação, tentei transmitir ao público minha experiência como vaper e minha história no vapor e como ela é parecida com milhares de outras histórias, que podem ser conferidas em qualquer rápida busca nas mídias sociais, pessoas que como eu largaram o cigarro da noite para o dia, de forma muito mais fácil do que a esperada, sem olhar para trás, sem recaídas e ganhando uma vida com muito menos danos.

Salientei que o cigarro eletrônico não é saudável, mas sim muito menos danoso.

Deixei claro que os cigarros eletrônicos não são da indústria tabagista, argumento que muitos que são contra a liberação do comércio do vaping se baseiam quando tentam atrelar um interesse puramente econômico de grandes empresas na exploração do mercado e da saúde das pessoas.

Um segundo ponto que levantei é que o cigarro eletrônico está sendo usado em larga escala, continuará sendo usado e só tende a aumentar o seu uso no Brasil. A falta de regulamentação e consequente proibição do comércio desses produtos já faz tempo que não impede que exista um amplo mercado que cresce a cada dia. As pessoas estão comprando e usando os cigarros eletrônicos e muitas delas sem as informações necessárias para sua própria segurança.

Um terceiro ponto foi salientar o quão importante deve ser uma regulamentação dos cigarros eletrônicos feita de uma forma coerente, baseada em pesquisas científicas e fatos concretos, sem se contaminar com o terrorismo midiático e interesses de terceiras partes que existem ao redor do mundo, principalmente nos EUA. Os cigarros eletrônicos já possuem pesquisas suficientes, independentes e com credibilidade, cuja conclusão colocada de forma muito simplistas é que eles muito mais ajudam do que atrapalham.

O problema está na escolha. A grande maioria dos fumantes brasileiros não tem escolha já que os métodos clássicos contra o fumo possuem índice de sucesso de menos de 30%. Temos quase 20 milhões de fumantes e sabe-se lá quantos usuários de narguile que normalmente não entram nas estatísticas, mas que também fazem parte do problema, sem contar tantos outros que passarão a fumar. Hoje não há nenhuma alternativa regulamentada para que essas pessoas troquem algo que mata por algo que não mata.

E finalizei abordando a questão dos jovens que é uma grande preocupação, mas que deve ser abordada de forma pragmática e realista, saindo do escopo terrorista e sensacionalista que muitas entidades anti-vaping gostam de abordar.

Existem 3 caminhos possíveis que um jovem pode seguir: o primeiro é a melhor das hipóteses, ele nunca irá consumir esses produtos, independente se há no mundo cigarros, tabaco aquecido, tabaco oral, cigarros eletrônicos, elétricos ou atômicos, ele não será um consumidor de nenhum deles.

O segundo caminho é evitável e senão evitável é pelo menos reversível, um adolescente que não seria um fumante de cigarros, mas por conta do apelo dos novos produtos passa a utilizá-los. Neste caso uma série de filtros precisam ser ultrapassados. Falham os pais na educação preventiva, falha a escola na vigilância de seu ambiente, falha o comerciante em permitir acesso a esses produtos e falha o governo em criar políticas de combate ao uso por menores.

E mesmo que todos esses filtros sejam ultrapassados, ainda temos nas mãos apenas um experimentador e não um usuário e cabe a todos nós trabalharmos para impedir que isso ocorra e se ocorrer, agir para reverter o quadro, quadro este que de acordo com várias pesquisas indicam que é um percentual estatisticamente pequeno.

O terceiro e último caminho exige que sejamos realistas. Haverão muitos novos fumantes nos próximos anos e muitos destes adultos fumantes vão começar a consumir os produtos quando crianças e adolescentes, não há como evitar isso. Se não há solução, então que eles sejam consumidores de produtos com risco reduzido e para isso é preciso oferecer alternativas pois hoje no Brasil só temos produtos que comprovadamente viciam e matam, produtos que até os próprios fabricantes não querem mais oferecer.

O evento continuou com a última mesa de discussão com o Doutor Kevin McGuirre professor da Universidade de São Francisco na Califórnia onde estuda o uso de dispositivos eletrônicos de nicotina em companhia do Dr. José Queiroz, Diretor Executivo da Agência Piaget Para o Desenvolvimento (APDES), entidade de sociedade civil de Portugal que trabalha com comunidades e públicos em situações de vulnerabilidade (usuários de drogas sendo uma delas).

No final, foi feito uma sessão em que todos os convidados palestrantes puderam responder a questões apresentadas pelos presentes.

Publicamos em nosso canal do Youtube todas as palestras na íntegra, confira abaixo:

Primeira Palestra

Segunda Palestra

Terceira Palestra

Quarta Palestra

Painel final com perguntas

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