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Saiba tudo sobre a EVALI a doença que matou e hospitalizou milhares de americanos

Após 3 meses desde a primeira morte nos EUA inicialmente ligada ao uso dos cigarros eletrônicos, finalmente temos um panorama geral sobre a doença que matou 42 pessoas e hospitalizou outras 2.172 no país e agora sabemos que ela não tem nenhuma ligação com os aparelhos de consumo de nicotina.

Em Agosto de 2019 um americano morreu devido à complicações pulmonares inicialmente atreladas ao “vaping”, palavra usada para definir o uso de cigarros eletrônicos. Esta foi apenas a primeira de uma série de internações e mortes que se seguiram, estabelecendo pânico ao redor do mundo, inclusive no Brasil, causado principalmente por conta de notícias que divulgavam informações incompletas, sensacionalistas e muitas vezes incorretas, causando um grande retrocesso na saúde do mundo todo, com pessoas voltando a fumar com medo das consequências do uso dos cigarros eletrônicos e provocando um grande impacto negativo na indústria vaping americana.

Para entender exatamente o que aconteceu, é preciso começar pela situação do mercado americano de cigarros eletrônicos e também o de cannabis.

O MERCADO AMERICANO DE VAPING E CANNABIS

Diferente do Brasil, os EUA possuem um grande mercado de consumo de maconha. A legislação acerca da Cannabis é responsabilidade individual de cada Estado e não do Governo Federal, portanto dependendo de onde você vive é possível encontrar lojas especializadas na venda destes produtos nas suas mais variadas formas, desde biscoitos, bolos, pirulitos, até a erva pronta para ser enrolada e fumada, principalmente para uso recreativo.

Já os cigarros eletrônicos foram inventados em 2003 por um Chinês chamado Hon Lik e começaram a entrar no mercado americano por volta de 2007 através de empresas Chinesas que ofereciam os produtos com o objetivo de permitir o consumo de líquidos contendo nicotina para adultos fumantes que desejavam parar de fumar os cigarros tradicionais. A indústria tabagista só entrou neste mercado muitos anos depois. Ao uso destes dispositivos foi dado o termo “vaping” que pode ser traduzido como “vaporando” pois não há queima de substância e sim a transformação de um líquido em vapor.

Hon Lik, inventor dos cigarros eletrônicos e do primeiro líquido para os produtos em 2003

O cigarro eletrônico foi inventado por um fumante que queria parar de fumar, sendo depois fabricado e vendido por muito tempo apenas por empresas Chinesas. Ele só passou a compor o portfolio das empresas tabagistas anos depois e até então já tinham conquistado o mundo, sem nenhum lobby ou grande empresa tentando aprová-los para venda nos países.

De lá pra cá muitas pesquisas foram realizadas e a comunidade científica concluiu que os cigarros eletrônicos representam até então uma diminuição de danos quando comparados aos cigarros tradicionais na casa do 95% ou mais, sendo uma excelente alternativa para as pessoas que não conseguem parar de fumar com os métodos clássicos como adesivos, gomas de mascar e remédios, cujo índice de eficácia é baixo e 7 em cada 10 pessoas não conseguem parar de fumar ao utilizá-los.

Apesar disso, não são produtos livres de riscos portanto necessitam de controle, principalmente para combater o uso indiscriminado por jovens ou não fumantes.

Loja de cigarros eletrônicos dentro de um hospital na Inglaterra

Alguns países como a Inglaterra foram rápidos em tratar do assunto e estabeleceram regras que permitiram que milhões de britânicos conseguissem parar de fumar enquanto o índice de uso entre jovens não fumantes permaneceu muito baixo, por volta de 0.1%. Por lá, o uso dos cigarros eletrônicos por adultos fumantes não é apenas permitido, como incentivado pelo Governo que inclusive autorizou a instalação de lojas dentro de hospitais que vendem produtos para os funcionários, pacientes e visitantes.

 

Ao contrário da Inglaterra e apesar de ser um país desenvolvido, os EUA foram bastante ineficientes ao tratar sobre a regulamentação dos produtos de cigarro eletrônico, cuja responsabilidade cabe ao FDA – Food and Drugs Administration, órgão com atribuições comparáveis à nossa ANVISA, agência reguladora de produtos para saúde.

Até hoje não há uma regulamentação clara em questões de controle como vendas para menores, registro de produtos e principalmente propaganda. Somente à partir do próximo ano é que algumas ações deverão ser cobradas da indústria.

Isso permitiu um rápido crescimento do mercado de cigarros eletrônicos e uma verdadeira explosão de consumo ocorreu após 2015 com a criação da marca Juul, uma empresa da Califórnia que apresentou um tipo de produto chamado “pod” que imitava o cigarro de forma mais eficiente e acabou por conquistar rapidamente mais de 70% do mercado americano.

Ao mesmo tempo em que estes aparelhos se tornavam populares, a tecnologia de vaporização de líquidos presente nos cigarros eletrônicos foi adaptada para o consumo de cannabis com a oferta de líquidos concentrados de THC para serem utilizados nas chamadas “weed pens” ou “canetas de erva” em tradução livre, que apesar de utilizar tecnologia similar, são produtos fundamentalmente diferentes.

Apesar de diferentes, existe uma questão em comum, o problema no consumo de cigarros tanto os tradicionais de nicotina quanto os de maconha está na queima que cria compostos nocivos à saúde. Quando se passa a vaporizar um líquido através do aquecimento, estes produtos passam a ser consideravelmente menos prejudiciais, portanto a adaptação da vaporização no consumo de maconha foi um passo positivo para a saúde.

Apesar da falta de controle nunca houveram grandes problemas atrelados ao uso de nenhum destes produtos, ocasionalmente ocorrendo acidentes com explosões de baterias que normalmente acontecem pelo uso indevido dos produtos, como você pode entender mais através de nosso artigo bastante completo que fala sobre segurança de baterias.

Isso tudo mudou quando um americano veio a falecer em Agosto deste ano devido à complicações pulmonares inicialmente associadas ao uso de cigarro eletrônico em geral e muitos outras hospitalizações e mortes começaram a ocorrer.

A EPIDEMIA NA SAÚDE E O PÂNICO DA MÍDIA

Em Agosto foi registrada a primeira morte relacionada aos cigarros eletrônicos no Estado de Illinois e 122 casos em potencial distribuídos em 22 outros Estados americanos.

O CDC – Center for Disease and Control, órgão máximo de saúde americano, passou a monitorar a situação e divulgar informações preliminares que ligavam os problemas em sua grande maioria ao consumo de líquidos concentrados de THC, cerca de 82% dos casos, porém haviam informações de pacientes que alegavam não ter consumido estes produtos, fazendo o uso exclusivo de líquidos apenas com nicotina.

É preciso entender que quando um paciente dá entrada em um hospital é feito um questionário sobre os hábitos de consumo para identificar a potencial causa do problema relatado. Muitos dos pacientes eram jovens e adolescentes que ao serem questionados não admitiam que haviam feito uso de uma substância psicoativa.

Para piorar, o consumo havia sido não de líquidos de THC produzidos por marcas conhecidas e vendidos em lojas de credibilidade, que até então seria apenas motivo de vergonha por assumir o consumo de um produto derivado da Cannabis aos pais ou familiares que acompanhavam os pacientes até o hospital, porém de líquidos adquiridos de forma ilegal através de contas do Instagram ou sites de procedência duvidosa, o que ajuda a entender o porquê houveram informações conflitantes entre o que os pacientes alegavam e o que foi descoberto após testes e pesquisas.

Para entender mais sobre isso, um artigo da CNBC explica o problema que médicos americanos estão enfrentando quando os pacientes mentem sobre o uso do THC, veja a matéria aqui.

“É capaz que existam apenas dois tipos de pessoa que contraem esta doença: aqueles que usaram cartuchos de THC e aqueles que não admitem.

Dr. Scott Aberegg, pneumologista da Universidade de Saúde de Utah – extraído do artigo

Apesar de terem existido fortes indícios desde o primeiro momento que se tratavam de problemas relacionados exclusivamente ao consumo de líquidos com THC, a mídia passou a noticiar informações equivocadas, por vezes sensacionalistas, generalizando o problema ao uso dos cigarros eletrônicos em geral. O próprio CDC sugeriu que os consumidores parassem de usar qualquer tipo de cigarro eletrônico.

Isso causou um pânico mundial cujas consequências foram desastrosas. Vários consumidores de cigarros eletrônicos voltaram a fumar por medo de problemas de saúde imediatos enquanto alguns Estados americanos chegaram a proibir a venda dos aparelhos. O próprio presidente Trump divulgou a intenção de banir os líquidos de cigarros eletrônicos com sabor, alegando que estes são atraentes para os jovens e que estavam contribuindo para o problema se alastrar, argumento bastante utilizado por grupos anti-vaping dos EUA. Apesar da intenção, o presidente Trump recentemente voltou atrás e decidiu não seguir com a decisão como você pode conferir neste artigo.

Aqui no Brasil, inúmeros veículos de mídia noticiaram os problemas sem fazer distinção entre os produtos de cigarro eletrônico e as canetas de consumo de líquidos concentrados de THC, causando uma verdadeira histeria e colocando o vaping como vilão.

Vários veículos de mídia noticiaram incorretamente a relação dos cigarros eletrônicos com as doenças nos EUA

Até durante as audiências públicas que a Anvisa organizou no mês de Agosto, que o Vapor Aqui fez a cobertura através de nosso canal do Youtube e que você pode conferir através deste link da primeira audiência no dia 08 de Agosto em Brasília e deste link para a segunda audiência no dia 27 de Agosto no Rio de Janeiro, vários profissionais de saúde representando instituições como FIOCRUZ, INCA e AMB – Associação Médica Brasileira, declararam que o problema estava atrelado aos cigarros eletrônicos como um todo, ajudando a divulgar informações incorretas e alastrar o pânico.

EVALI – UMA DOENÇA FRUTO DO CRIME

Enquanto a situação era estudada e novos casos apareciam, em Outubro o CDC deu um nome para a doença: EVALI – E-Cigarette or Vaping Product Use-associated Lung Injury ou em tradução livre “Dano aos Pulmões Associados ao Uso de Cigarros Eletrônicos ou Produtos de Vaping”.

Com mais e mais casos reportados, os médicos começaram a encontrar uma substância em comum, o acetato de vitamina E.

Vitamina E é encontrada em diversos produtos no mercado e pode ser consumida de forma segura através de loções, cremes ou pílulas, porém quando inalada é extremamente prejudicial aos pulmões, causando uma espécie de pneumonia lipídica, acumulando óleo no sistema respiratório.

Ao que tudo indicava, a Vitamina E estava presente em todas as amostras de líquidos de THC consumidos pelas pessoas afetadas pela doença. Além disso, os cartuchos contendo THC haviam sido comprados de lojas e marcas não oficiais, através do mercado negro composto por contas de Instagram e sites sem qualquer credibilidade, sendo uma das marcas mais citadas chamada de “Dank Vapes”.

A polícia americana passou a realizar uma operação em busca dos potenciais culpados e uma série de batidas e apreensões desmantelaram um verdadeiro círculo criminoso de falsificação de cartuchos de THC com apreensão de milhares de produtos, armas, dinheiro e a prisão de dezenas de pessoas nos Estados de Nova Iorque e Wisconsin.

Foi descoberto que estes grupos criminosos estavam utilizando o Acetato de Vitamina E para engrossar o líquido de THC e torná-lo visualmente mais atrativo, passando uma sensação de qualidade.

Após as prisões e com mais informações coletadas, o CDC divulgou nota oficial atrelando a doença EVALI exclusivamente à presença de Vitamina E nos cartuchos de THC falsificados, livrando os cigarros eletrônicos que utilizam líquidos com apenas nicotina de qualquer responsabilidade.

No página oficial do CDC que trata sobre os cigarros eletrônicos o órgão admite que “cigarros eletrônicos tem o potencial de auxiliar fumantes adultos como um substituto dos cigarros convencionais e outros produtos de tabaco”.

REPERCUSSÃO E DANOS DA EPIDEMIA CRIMINOSA

Além dos óbvios e terríveis danos causados às vitimas que morreram ou foram hospitalizadas, as consequências destas operações criminosas são muito mais abrangentes.

No mundo todo pessoas deixaram de utilizar os cigarros eletrônicos com medo de problemas de saúde e voltaram a fumar os cigarros convencionais, muito mais prejudiciais em comparação.

A repercussão da decisão divulgada pelo presidente Trump em banir os sabores dos líquidos para cigarros eletrônicos aumentou a sensação de pânico e contribuiu para agravar a situação, fazendo o mercado de cigarros eletrônicos nos Estados Unidos perder 60% de suas vendas, vários comércios fecharam as portas e muitas pessoas foram afetadas direta ou indiretamente. O presidente Trump já voltou atrás na decisão, mas o estrago foi feito.

NEM TUDO SÃO MÁS NOTÍCIAS

Na contramão de toda essa triste situação, eventos como o E-Cigarette Summit que ocorreu em Londres na Inglaterra no último dia 14 de Novembro e que o Vapor Aqui pôde cobrir na íntegra, revelam que o vaping é uma das maiores oportunidades da história moderna para diminuir os males do tabaco e tornar a vida das pessoas mais saudáveis.

Em breve teremos artigos cobrindo o evento e os principais assuntos discutidos, bem como entrevistas com especialistas e personalidades da área como o Dr. Konstantinos Farsalinos, cardiologista e pesquisador na área de combate aos danos do tabaco, Clive Bates, especialista na área de saúde pública e redução de danos do tabaco, além da Dra. Gizelle S Baker, doutora líder do time de epidemiologia e bioestatística da Philip Morris responsável por conseguir aprovação do FDA para o produto de tabaco aquecido da empresa para venda nos Estados Unidos.

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