Image default
Científico Destaques Notícias

Resumo do E-Cigarette Summit 2019 em Londres na Inglaterra

O Vapor Aqui pôde conferir de perto o E-Cigarette Summit em sua sétima edição que ocorreu no dia 14 de Novembro na The Royal Society em Londres na Inglaterra e teve como assunto principal os cigarros eletrônicos, também conhecido como “vaping” e agora trazemos para você um resumo do que encontramos por lá e um pouco do conteúdo adicional que planejamos publicar aqui no site e também em nosso canal do Youtube.

O assunto é de extrema importância para o Brasil que vive uma situação bastante precária com a proibição do comércio dos produtos pela Anvisa desde 2009, que sem uma fiscalização adequada permitiu que fosse estabelecido um grande mercado negro que realiza vendas indiscriminadas, inclusive de produtos falsos, a qualquer pessoa com acesso a internet.

É possível encontrar facilmente diversos sites oferecendo produtos sem nenhum controle sobre quem está comprando, aceitando pagamento por boleto e entregando diretamente na residência do cliente, como foi visto em uma das audiências públicas realizada pela Anvisa no dia 27 de Agosto no Rio de Janeiro, quando um dos palestrantes mostrou que conseguiu comprar um produto e recebê-lo sem problemas mesmo alegando em seu cadastro de cliente que tinha apenas apenas 6 anos de idade.

Durante as duas audiências já realizadas pela Anvisa neste ano, ambas com cobertura do Vapor Aqui em nosso canal do Youtube que você pode conferir através deste link da primeira audiência no dia 08 de Agosto em Brasília e deste link para a segunda audiência no dia 27 de Agosto no Rio de Janeiro, as instituições de saúde brasileiras participantes como INCA, FIOCRUZ e a Associação Médica Brasileira, entre outras, atacaram os cigarros eletrônicos alegando serem produtos mais prejudiciais que os cigarros convencionais, sendo apenas uma nova estratégia das empresas tabagistas para conquistar novos mercados e manter as pessoas viciadas, citando o uso entre os jovens nos EUA e argumentando que são produtos sem pesquisas suficientes para garantir sua segurança.

Na contramão de tais alegações, a Inglaterra está na vanguarda do combate ao tabagismo com o uso do vaping, não apenas permitindo, mas também incentivando o uso dos dispositivos para os adultos fumantes que não conseguem parar de fumar utilizando os métodos clássicos como adesivos, gomas de mascar e remédios, cuja eficácia é baixa e 7 em cada 10 pessoas não tem sucesso em parar de fumar com estas alternativas.

A coisa atingiu tamanha proporção que já encontramos por lá hospitais que possuem lojas vendendo cigarros eletrônicos dentro de seus prédios, bem ao lado da ala de raio-x, permitindo fácil acesso a funcionários, pacientes e visitantes que desejam adquirir os produtos.

Mas quem está com a razão?

O EVENTO

O evento foi realizado mais uma vez na suntuosa e tradicional The Royal Society, a mais antiga instituição nacional científica do mundo, fundada em 1660 para promover o conhecimento através da ciência e do conhecimento.

Já na entrada somos recebidos por quadros, esculturas e uma maça de prata e ouro dada de presente pelo rei Charles II em 1663, objetos que mostram a tradição secular do local que teve como um de seus presidentes ninguém menos que Sir Isaac Newton.

Foi neste ambiente que em 2013 ocorreu a primeira edição do E-Cigarette Summit, servindo como ponto de partida para diversos estudos realizados por várias instituições, entre elas a Public Health England, o serviço de saúde britânico, bem como por pesquisadores independentes.

Conclui-se então que os cigarros eletrônicos são produtos 95% a 99% menos prejudiciais que os cigarros convencionais, não apresentam riscos aos “fumantes passivos” e possuem até 2 vezes mais chance de sucesso no auxílio a quem quer parar de fumar quando comparados aos métodos encontrados nas farmácias, entre outros benefícios frente aos cigarros normais.

Estas descobertas foram a base para a fundação da atual legislação sobre os cigarros eletrônicos na Inglaterra que não apenas permite, mas incentiva o uso dos aparelhos por adultos fumantes que desejam fazer a transição dos cigarros convencionais para os eletrônicos.

Os resultados destas políticas são bastante animadores. Mais de 1.5 milhões de britânicos adultos trocaram os cigarros convencionais pelos eletrônicos e o índice de jovens usuários dos produtos é bastante baixo, com cerca de 0.8% de jovens entre 11 e 18 anos que nunca fumaram declarando que já experimentaram os produtos e apenas 0.1% disseram usar mais de uma vez por semana.

Após a primeira edição, o evento passou a ser referência em pesquisas na área servindo de ponto de apoio para continuar com a discussão no Reino Unido e também compartilhar informações e auxiliar outros países na construção de políticas de saúde pública.

Em um total de 22 painéis apresentados por professores, mestres, doutores, cientistas e pesquisadores em diversas áreas relevantes ao tema, foram abordados assuntos como a epidemia de uso de cigarros eletrônicos entre os jovens nos EUA, dados atualizados sobre o uso dos produtos na Inglaterra, questões sobre pesquisas de má qualidade sobre os cigarros eletrônicos, o vaping e a saúde cardiovascular, o uso “dual” (aqueles que usam os aparelhos e continuam fumando), políticas regulatórias, entre outros pontos.

O caso dos Estados Unidos talvez seja o mais emblemático para exemplificar o quão importante é adotar políticas de controle. Por lá há um alto índice de uso entre jovens, uma falsa percepção da maioria dos americanos que os cigarros eletrônicos são mais prejudiciais que os cigarros convencionais e recentemente o caso da doença EVALI que causou pânico no mundo todo após dezenas de mortes e milhares de hospitalizações por conta de uma contaminação de Vitamina E em cartuchos de THC falsificados que foi erroneamente atrelada aos cigarros eletrônicos de nicotina, produtos totalmente diferentes. Para saber tudo sobre esta história, leia nosso artigo saiba tudo sobre a EVALI.

Tudo isso pela ineficiência do FDA – Food and Drugs Administration, o órgão responsável por regulamentar os produtos de cigarro eletrônico nos EUA, em estabelecer uma legislação sobre os dispositivos, permitindo que o mercado expandisse sem controle.

Em breve teremos artigos cobrindo o evento e os principais assuntos discutidos, bem como entrevistas com especialistas e personalidades da área como o Dr. Konstantinos Farsalinos, cardiologista e pesquisador na área de combate aos danos do tabaco, Clive Bates, especialista na área de saúde pública e redução de danos do tabaco, além da Dra. Gizelle S Baker, doutora líder do time de epidemiologia e bioestatística da Philip Morris responsável por conseguir aprovação do FDA para o produto de tabaco aquecido da empresa para venda nos Estados Unidos.

Artigos relacionados

Carregando...

Este site utiliza cookies para melhorar a experiência de navegação. Imaginamos que você esteja feliz com isso, mas caso não queira, você pode optar por não aceitar. Aceitar Leia mais

Assine nossa newsletter!

e fique ligado nas novidades

Saiba tudo o que acontece sobre o vaping no Brasil e no mundo. Seus dados não serão compartilhados e só vamos lhe avisar sobre coisas importantes e bem legais!