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Quantos mg usar? Tudo sobre a nicotina no vaping

O cigarro possui milhares de substâncias tóxicas, porém a responsável pelo vício químico é a nicotina. Por ela ser a responsável por viciar você, é apenas natural imaginar que ela também seja a responsável pelos males do cigarro, mas isso está longe de ser verdade e saber que ela não é a vilã que pintam por aí é importantíssimo para entender que você pode consumi-la à seu favor e ainda assim ter uma vida com menor risco.

Hoje no mercado vaping é possível encontrar dois tipos de nicotina: a Freebase e a Nicsalt. Elas tem muitas diferenças entre si, portanto veremos a seguir tudo o que é necessário saber sobre cada uma delas para que você entenda qual é a mais indicada para você.

O QUE É A NICOTINA?


A planta do Tabaco – Nicotiana tabacum

A nicotina é uma substância usada por algumas espécies de plantas para se defender de herbívoros, basicamente ela é um mecanismo de defesa da planta para não ser comida. É por isso que um dos usos da nicotina é a de ser pesticida. Ela foi nomeada por causa da planta Nicotiana tabacum que por sua vez foi nomeada por causa do Francês Jean Nicot de Villemain que mandou as primeiras sementes para Paris em 1560.

A nicotina não existe só na planta de tabaco, sendo encontrada em legumes como a batata, tomate, couve-flor e brócolis. Nas berinjelas o nível de nicotina é relativamente alto em comparação com outros tipos de alimentos, tendo em cada 10 gramas nicotina equivalente a 3 horas de tabagismo passivo. Parece muito, mas colocando em perspectiva, para se ter o consumo equivalente à nicotina de 1 cigarro você precisaria comer 10kg de berinjela.

A nicotina é uma substância que cria grande dependência e por este motivo foi usada nos cigarros para aumentar seu consumo. Ela provoca reações em duas fases, em baixas quantidades cria uma reação psicotrópica estimulante e em maiores quantidades age como relaxante.

Ao consumir nicotina as reações do organismo são muitas e o cérebro se acostuma rapidamente com a substância, passando a esperar por ela, atuando no sistema nervoso central, principalmente no sistema nicótico do cérebro, passando também pelo sistema simpático.

Resumindo em termos leigos é como se o estado de humor normal de um fumante, algo como “eu estou me sentindo bem”, acabasse por descer um nível e passasse a ser atingido só depois de receber nicotina.

Quando fica sem a substância, o fumante passa a se sentir num estado de “eu estou me sentindo mal” quando na verdade não estaria se não houvesse criado um vício pela substância. Este é o principal motivo pelo qual um fumante acha que gosta de fumar quando na verdade ele cria uma dependência em que seu estado normal é percebido como ruim e para se atingir a normalidade é preciso receber nicotina.

Quando alguém tenta parar de fumar, além de se sentir miserável, o corpo entra em abstinência e reage de formas severas, causando desconforto, irritabilidade, alteração de humor e outras consequências.

NICOTINA FAZ MAL?


Ainda existem muitas dúvidas quanto à segurança do consumo de nicotina

Pela primeira vez na história da humanidade é possível consumir nicotina em larga escala sem que a substância esteja ligada a um mecanismo de entrega tão prejudicial quanto o cigarro, portanto as questões de saúde em relação a nicotina quando isolada ainda carecem de estudos, mas já se sabe muita coisa por causa do tabaco oral.

Como os cigarros eletrônicos são relativamente novos para permitir pesquisas de longo prazo, que costumam durar 30 anos ou mais, voltamos nossa atenção ao SNUS, um tabaco oral que deve ser usado na gengiva e que entrega nicotina gradativamente, cuja existência no mercado data de 1820 e sua receita de produção permanece praticamente inalterada quase 200 anos depois de sua criação. Este produto já possui estudos de longo prazo, principalmente relativos à absorção de nicotina, uma vez que não há outros compostos no SNUS que possam oferecer risco aos usuários como acontece no cigarro convencional.

O consenso médico é que a nicotina oferece poucos riscos à saúde, sendo o seu efeito viciante a maior preocupação, principalmente em relação aos jovens. Há apenas um pequeno aumento de riscos de problemas cardíacos comparado às pessoas livres de nicotina e comparado com fumantes, o risco de problemas cardiovasculares é muito menor. O risco de câncer é mínimo.

Em resumo, a nicotina separada de todas as substâncias tóxicas do cigarro não causa nenhum dos males atrelados ao tabagismo.

A NICOTINA E O VAPING


Aparelho pod para ser usado com nicotina do tipo Nicsalt

A forma como a nicotina é utilizada e consumida no vapor é bem diferente dos cigarros convencionais.

Infelizmente a falta de regulamentação e principalmente pesquisa na área cria uma grande incógnita em relação à dose de nicotina que deve ser usada nos cigarros eletrônicos, pois há um grande fator pessoal e de adaptação de cada organismo, agravado pelo fato de termos diferentes tipos de aparelhos, com potências e configurações completamente distintas que modificam a experiência e podem tornar a sensação de vaporar positiva ou negativa, o que potencialmente significa manter a pessoa longe dos cigarros ou fazê-la continuar ou retornar ao tabagismo.

Para complicar ainda mais, temos que escolher entre dois tipos de nicotina cujas propriedades são completamente diversas e precisam não apenas de concentrações diferentes, mas também ser usadas em tipos de aparelhos específicos.

Como se não bastasse, esses diferentes tipos de nicotina podem ser misturados, usados em concentrações das mais diversas e não há nenhum profissional de saúde apto a lhe responder qual é a melhor dose para você.

Mesmo com toda a informação deste artigo, a verdade é que o tipo, quantidade e método de consumo de nicotina serão escolhas pessoais suas e alguma tentativa e erro estará envolvida, portanto se em um primeiro momento você não se adapte ao vaping, tente diferentes combinações até encontrar algo que lhe satisfaça.

TIPOS DE NICOTINA


Composição molecular da nicotina Freebase e da Nicsalt

Dando nome aos bois, temos a nicotina Freebase e a Nicsalt. Precisamos entender um pouco de sua história e papel na indústria dos cigarros pra saber de onde elas vieram e suas diferenças quando usadas no vapor.

Até a década de 1960 a nicotina era consumida em sua forma mais natural, que é a Nicsalt. É a nicotina que está na natureza, diretamente na folha do tabaco. O problema é que ela não é muito bem absorvida pelo organismo.

Foi então que a Philip Morris conseguiu desenvolver um método para aumentar a potência da nicotina no seu Marlboro sem aumentar a dose, pois naquela época já existiam limites impostos para a quantidade máxima de nicotina dos cigarros. Utilizando um processo com amônia ela conseguiu transformar este sais de nicotina em uma forma muito mais concentrada criando a nicotina Freebase. É esta a nicotina amplamente consumida até hoje.

Passando para o vaping, a nicotina consumida está em sua forma isolada portanto sua absorção é muito menor. Lembre-se que grande parte das substâncias do cigarro estão lá para tornar a nicotina mais forte, ser absorvida mais rápido e claro, viciar mais e mais rápido. Como no vapor não temos nada disso, a coisa acaba sendo muito mais suave, o que por um lado é bom, mas por outro é ruim pois a dose errada pode não saciar e a pessoa retornar ao tabagismo.

Este é o primeiro desafio para se entender e definir o percentual de nicotina que deve ser usado por cada pessoa. Tirando o fator pessoal de cada organismo, simplesmente não dá pra comparar o percentual de nicotina do seu maço de cigarros e transportá-lo para o vapor, não é assim que funciona.

NICOTINA FREEBASE

A nicotina Freebase era até pouco tempo atrás o único tipo utilizado nos líquidos para cigarro eletrônico já que a indústria havia abandonado a Nicsalt após a descoberta da Freebase.

Ela é uma nicotina que pode ser facilmente transformada em vapor e possui ótima absorção pelo corpo, porém muitas vezes insuficiente para algumas pessoas, pois lembre-se que o cigarro entrega muito mais nicotina e de forma muito mais rápida. Isso produz o que eu chamo de “efeito mamadeira” em que a pessoa utiliza o seu aparelho o tempo todo para tentar equiparar com a quantidade de nicotina que recebia pelos cigarros.

Uma solução para isso seria aumentar a dose, porém a nicotina Freebase torna-se rapidamente impalatável, produzindo um arranhar na garganta que se torna insuportável quando usada em aparelhos mais potentes. Mesmo em aparelhos mais simples ou de baixa potência e fluxo, níveis acima de 10mg já são considerados fortes demais pela maioria das pessoas.

NICOTINA NICSALT

Identificando uma lacuna no mercado, uma empresa desenvolveu um novo método que permitiu resgatar a Nicsalt adaptando a substância aos vaporizadores.

Até então a Nicsalt em seu estado natural não era facilmente vaporizada, além de ter baixa absorção pelo organismo. Tudo isso foi resolvido pelo desenvolvimento de uma técnica que usa Ácido Benzoico e torna a Nicsalt não apenas vaporizável como também mais facilmente absorvível pelo organismo.

Isso criou todo um novo mercado de produtos desenvolvidos exclusivamente para o consumo desta nicotina. A principal empresa a explorar este mercado foi a Juul, hoje bilionária após abocanhar mais de 70% do mercado americano de cigarros eletrônicos.

Os novos aparelhos foram batizados de “pods”, muito mais portáteis e de baixa potência, permitindo o uso de Nicsalt em concentrações de 20mg até 50mg. Pode parecer muito, porém suas características de absorção e suavidade tornam estes níveis ideais para consumo e uma experiência muito mais próxima dos cigarros quando utilizada nestes aparelhos.

Isso permitiu que o fumante passasse a utilizar um pod da mesma forma que consumia um cigarro: ao sentir necessidade de fumar basta dar algumas tragadas e assim receber uma boa dose de nicotina para então voltar à cuidar de sua vida.

PREOCUPAÇÕES COM O VÍCIO


Garota não identificada de 15 anos mostra seu dispositivo “pod” perto do campus da escola em Cambridge, Massachusetts (AP Photo/Steven Senne)

Ainda é cedo para concluir qualquer coisa em relação à absorção, efeitos e consequências do consumo de nicotina através dos cigarros eletrônicos pois é a primeira vez na história que podemos consumir a substância sem estar atrelada aos cigarros e ainda não temos estudos de longo prazo, quando consideramos 30 anos ou mais.

Porém já temos algumas linhas interessantes de pensamento, como alguns estudos defendem o uso da nicotina pela sociedade da mesma forma que a cafeína, como o da Dra. Caitlin Notley, palestrante do último Fórum Global Sobre a Nicotina, evento que o Vapor Aqui pôde participar e que dentre outros conteúdos gerou o artigo Nicotina para se divertir. 

Mas nem tudo é positivo e um bom exemplo é o que tem acontecido com os aparelhos estilo pod nos EUA. Por lá há uma epidemia de consumo destes produtos nas escolas por crianças e adolescentes. A situação é tão preocupante que o Governo dos EUA já declarou que várias sanções serão aplicadas se a empresa Juul, maior fabricante com valor avaliado em mais de 15 bilhões de dólares, não conseguir impedir que jovens tenham acesso aos seus produtos.

Apesar de ser um problema preocupante, é preciso levar em conta quantos filtros precisam ser ultrapassados para que uma criança tenha acesso contínuo a um destes produtos: falham os pais na educação da criança, falha a escola na prevenção do uso em suas instalações, falha o Governo em políticas de uso consciente e falha o vendedor do produto em não comercializar apenas para o público adulto.

Consequentemente isso traz ainda mais preocupação do quanto a nova nicotina pode ser viciante.

Até então só tínhamos a nicotina Freebase que não é muito eficiente na hora de entrar no organismo e chegar ao cérebro, o que de certa forma é positivo pois apesar de criar uma certa frequência no uso dos aparelhos, ainda assim era uma relativa diminuição na absorção de nicotina pelo corpo se compararmos com os cigarros. Por se tornar impalatável em altas concentrações, isso acabava servindo de mecanismo de controle contra consumo de altas doses, forçando o organismo a aceitar e se acostumar com uma absorção menor de nicotina o qual o fumante estava acostumado.

Com a Nicsalt isso não acontece, a absorção é similar ao cigarro convencional e há preocupações de que os fumantes estejam efetivamente se viciando em igual ou maior escala, quando não ocorrem casos de fumantes sociais ou esporádicos passarem a usar os pods e se tornaram muito mais viciados do que eram nos cigarros.

Nas mídias sociais, já encontram-se relatos de pessoas que contam como passaram a sentir “fissura” ou “grande vontade de utilizar os aparelhos” em mesma medida que sentiam quando fumavam, mas não quando usavam aparelhos cujo consumo de líquidos eram baseados em nicotina Freebase.

Sem estudos específicos acabamos ficando sem informações concretas e portanto o Vapor Aqui, pautado sempre na premissa de diminuição de riscos, alerta para o assunto e pede cautela àqueles que desejam parar de fumar usando pods. Quando somos perguntados, respondemos que o ideal é começar com um aparelho inicial e consumo de líquidos com nicotina Freebase. Caso este método não funcione, aí sim sugerimos o pod como alternativa, utilizando Nicsalt.

DIFERENÇAS ENTRE APARELHOS

É preciso interromper o assunto sobre a nicotina e realizar um parênteses. Dependendo do tipo de aparelho utilizado e da configuração geral tanto do dispositivo quanto do atomizador as coisas podem mudar drasticamente.

Para garantir um melhor entendimento é preciso que você tenha um conhecimento mais profundo dos tipos de aparelhos existentes, como eles funcionam, a diferença entre modelos de atomizadores, tipos, estilos e número de coils e outros fatores, coisa que pode acabar ficando complicado demais para quem quer saber apenas o quanto de nicotina deve utilizar.

Mas se você quer saber mais, temos vários artigos que você pode ler e depois voltar aqui e continuar a leitura:

Mas para resumir, a experiência como um todo, desde o arranhar na garganta até a quantidade de nicotina consumida e efetivamente absorvida mudam de acordo com o aparelho que está usando e a forma como ele está configurado.

Aparelhos com atomizadores de coilheads serão diferentes de atomizadores com resistências mais complexas, com duas ou mais coils, pois logicamente haverá maior vaporização de líquido e consequentemente mais nicotina absorvida.

Potência ou temperaturas mais elevadas também vão contribuir para maior consumo. Em contrapartida aparelhos mais simples e sem regulagens ou ainda aparelhos configurados com potências ou temperaturas menores transformarão menos líquido em vapor e o consumo será menor.

Portanto a escolha da concentração de nicotina está intimamente ligada também ao tipo de aparelho utilizado e como ele está configurado e não apenas ao líquido escolhido.

DOSES INDICADAS DE NICOTINA 


As doses que vamos indicar são apenas sugestões pois não há nenhuma relação direta entre o consumo de cigarros e o consumo de líquidos de um determinado tipo ou concentração de nicotina. Como já dissemos, muito disso é tentativa e erro, porém é possível indicar valores que tenham menor chance de erro ou que pelo menos se aproximem mais do ideal que você vai acabar adotando.

Como temos duas formas de nicotina no mercado que devem ser usadas em modelos de aparelhos distintos vamos dividir as sugestões entre nicotina Freebase e nicotina Nicsalt.

Apesar de ser possível a mistura de ambas para um resultado misto, no mercado este tipo de solução é raramente encontrada, então vamos nos limitar ao que podemos encontrar por aí. Se você resolver fazer seus próprios líquidos, aí poderá fazer experimentações tentando achar um resultado que lhe agrade.

A primeira e melhor dica que podemos dar é: comece por baixo e vá subindo. Se acha que vai precisar consumir 6mg, tente primeiro com 3mg ou 4mg. Precisando, aumente.

A segunda melhor dica é: na dúvida, já que o objetivo é parar de fumar e pra isso nenhum investimento é pequeno, compre o mesmo líquido com uma quantidade maior de nicotina e outra unidade sem nicotina, como por exemplo 6mg e 0mg. Desta forma você poderá misturá-los e conseguir concentrações diferentes até achar a que mais lhe agrada.

AINDA COM DÚVIDAS?

Se você ainda está com dificuldades em saber a concentração de nicotina ideal para você ou ainda tem outras perguntas, entre em nosso grupo de Facebook e encontre uma grande comunidade pronta a lhe ajudar!

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