Este é provavelmente o artigo mais importante do site relativo à segurança para quem usa um cigarro eletrônico pois estão nas baterias as maiores causas de acidentes mais graves como queimaduras e até explosões. Artigos na mídia que contam histórias de cigarros eletrônicos pegando fogo ou explodindo muitas vezes falham em explicar que a culpa, na esmagadora maioria dos casos, recai nas baterias e normalmente no erro do usuário e não de fábrica. Isso mesmo, se explodir provavelmente a culpa será sua.

No vapor são utilizada baterias de alta descarga de corrente portanto é primordial que você saiba o que está fazendo para evitar acidentes. Não dá pra reclamar se você resolveu colocar 900 cavalos de potência em uma Kombi e acabou capotando na curva. Existem baterias excelentes que são feitas para lanternas, mas não podem ser usadas nos cigarros eletrônicos. Não é culpa das baterias por serem fracas e sim sua por estar usando algo certo no lugar errado.

Apesar deste artigo ser longo e detalhado, não há tanto assim para se aprender e seguindo algumas regrinhas básicas você estará muito seguro contra problemas, mas eu prefiro explicar os “porquês” para que você entenda como coisas funcionam ao invés de apenas lhe dizer o que fazer.

Versão TL:DR (Too Long: Didn’t Read ou Só Diga O Que Eu Tenho Que Fazer)


  • Só compre baterias recomendadas (consulte a lista neste artigo);
  • Compre apenas de fornecedores recomendados para evitar falsificações (o que é bem comum);
  • Baterias de notebook, lanterna ou qualquer outra que não as recomendadas por este artigo não servem, essa é a maior chance de dar problemas. Não seja mão de vaca com a sua segurança;
  • Na dúvida se suas baterias são boas, evite utilizar potências muito altas. Aparelhos com uma bateria vão normalmente até no máximo 80W, com duas dá pra ir até no máximo 150W e com três até 200W (números aproximados). Na dúvida, utilize metade disso ou menos. Isso é limitação técnica seguindo a Lei de Ohm, acima disso estará exigindo mais do que o indicado. Não utilize nada muito próximo aos limites;
  • Compre um carregador externo e só carregue as baterias por ele, principalmente se o seu aparelho usar duas baterias. Além disso, carregue-as e use-as sempre juntas. Isso chama-se “pareamento” ou “casamento” de baterias e é extremamente importante para evitar acidentes;
  • Se as baterias esquentam muito durante o uso, jogue-as fora ou no máximo utilize-as na menor potência que conseguir. Uma bateria custa no máximo R$ 50,00 em fornecedores recomendados o que é bem pouco comparado a um tratamento de reconstrução facial;
  • Jamais deixe as baterias junto com objetos de metal, em bolsas ou bolsos, pois elas vão acionar, esquentar, derreter, pegar fogo e até explodir;
  • Mantenha as baterias bem cuidadas, cuidado com rasgos ou descascados na proteção. Se cair e amassar, jogue fora em local adequado;
  • Se o seu aparelho usa 2 ou mais baterias, utilize apenas baterias iguais, mesma marca, modelo e capacidade, jamais misture baterias diferentes;

Cigarros eletrônicos podem explodir?


Não, cigarros eletrônicos não explodem, assim como celulares não explodem, nem tablets, tampouco carros, aviões, sequer usinas nucleares. O que explode são as baterias, os tanques de gasolina e os reatores, o que explode é a “fonte de energia” que por natureza é volátil e precisa de cuidados com a segurança. Há uma necessidade de mudar o foco do problema pois constantemente essa culpa acaba se alastrando de forma que as manchetes dizem “Cigarros eletrônicos são perigosos” ou “Aparelho de cigarro eletrônico explode no bolso de fulano” e isso está muito errado.

Nos ecigs você é responsável pela escolha da bateria e isso abre a possibilidade de utilização de baterias de má qualidade, sem as características necessárias, sendo forçadas além de seus limites ao tentar fazer as mais básicas tarefas que uma bateria indicada poderia fazer tranquilamente.

Problemas de fábrica são raríssimos, portanto se pegou fogo ou explodiu, estatisticamente, a culpa é sua. Além disso, o cuidado na manutenção das baterias é tão importante quanto sua correta escolha.

As principais características das baterias


Existem 3 características relevantes para identificar se uma bateria pode ou não ser usada no vapor:

  1. Tamanho e formato: a bateria deve ter o tamanho correto para caber no aparelho. Hoje a maioria usa baterias 18650 (18 milímetros de largura com 65 milímetros de altura, o zero significa o formato redondo da bateria), mas temos alguns modelos utilizando baterias com tamanhos 26650 (26 milímetros de largura e 65 milímetros de altura). Novos tamanhos podem ser adotados no mercado, mas provavelmente sigam o mesmo padrão de nomenclatura (largura / altura / formato).
  2. Capacidade: medida em “mAh” que significa “miliampére-hora”, a capacidade determina o quanto ela pode guardar de carga, que se traduz diretamente no tempo que ela consegue alimentar um aparelho e mantê-lo funcionando.
  3. Corrente máxima: a principal característica do ponto de vista da segurança. Significa quanta energia uma bateria consegue entregar sem comprometer sua integridade física. É medida em A de ampere.

Ainda temos a tensão elétrica, comumente chamada de “voltagem”, mas ela é uma magnitude física e não uma característica das baterias, portanto todas vão trabalhar com os mesmos valores: o mínimo, o nominal e o máximo. Normalmente as baterias carregam até 4.2V, possuem carga nominal de 3.6V e abaixo disso são consideradas pelo dispositivo como “esgotadas” necessitando carregamento. Abaixo dos 2.5V normalmente as baterias já começam a deteriorar e podem apresentar problemas físicos internos, não sendo mais seguras, abaixo dos 2.0V há certeza de danos e a bateria deve ser descartada mesmo que você consiga carregá-la novamente.

As baterias indicadas para o vapor


Tentarei manter este artigo o mais atualizado possível, porém é preciso ressaltar que estas informações são relativas à data que estou escrevendo.

Baterias não são fáceis de se fabricar. É preciso possuir uma estrutura industrial considerável e um conhecimento técnico que poucas empresas são capazes de possuir. Isso faz com que as baterias possuam poucos fabricantes, sendo eles: Panasonic, Sony, Samsung, Sanyo, LG e Hitachi.

Porém você encontrará várias outra “marcas” no mercado, como Efest, AWT, Nitecore, são muitas para listar. Essas baterias são as chamadas “re-wraps”, compradas de uma das fabricantes listadas e apenas reencapadas com outra marca. Nestes casos a sugestão é sempre se ater à baterias diretamente dos fabricantes, não há necessidade de ter intermediários no processo.

Mas comprar uma bateria indicada não depende apenas da escolha em uma tabela, mas também da disponibilidade no mercado. Muitas vezes a melhor bateria simplesmente está em falta. Porém temos hoje modelos suficientes para que pelo menos uma das baterias indicadas possa ser encontrada em algum fornecedor recomendado.

Lembrando que estas baterias são indicadas para mods regulados e que são as mais comuns que achamos nos fornecedores nacionais:

Tamanho: 18650
Modelos: Samsung 25R, Samsung 30Q, Sony VTC4, Sony VTC5, Sony VTC5A, Sony VTC6 e LG HG2 (conhecida como LG Chocolate).

O usuário “Mooch” do E-Cigarette Forum, o maior fórum de discussão sobre cigarro eletrônico do mundo, é um tipo de “especialista” em baterias. Ele faz exaustivos testes de todo tipo de bateria disponível no mercado e desmistifica algumas marcas que oferecem especificações irreais, além de fazer uma lista de marcas e modelos que ele recomenda, servindo de referência para toda a comunidade.

Confira o Facebook oficial dele através deste link, o tópico oficial do fórum neste link e abaixo a imagem mais atualizada com a lista indicada, mas lembre-se, isso não exime você de saber sobre a Lei de Ohm ou como elas interagem com seus aparelhos regulados, ambos conteúdos que temos aqui no site. Leia e se informe antes de usar qualquer bateria deste tipo em qualquer aparelho que tenha, para evitar acidentes.

Quem é esse tal de Mooch?


Mooch é o guru das baterias no meio do vapor mundial. Ele é um profissional que trabalha há mais de 25 anos com baterias de todos os tipos para a indústria fotográfica, com trabalhos para a Kodak, Exército Americano, National Geographic, Sports Illustrated e muitas outras grandes empresas. Com a transição dos fios para o wireless as baterias se tornaram primordiais para o seu trabalho e ele se especializou neste nicho, portanto grande parte do que ele faz consiste em criar soluções de baterias que durem mais, sejam mais potentes e principalmente seguras.

Por ser também um vaper, acabou aplicando esse conhecimento ao seu hobby e passou a testar as baterias que usamos em nossos ecigs. Ele faz testes bem específicos, principalmente no tocante à corrente contínua (também popularmente chamada de “amperagem máxima”) o que se traduz diretamente à segurança e integridade da bateria.

Como o Mooch testa as baterias e o que isso significa?


É muito importante salientar que não há um “selo de qualidade” ou um padrão técnico oficial nas baterias usadas no vapor porque elas não foram feitas para isso, sendo mais um caso de adaptação de tecnologia para uso nos ecigs. Como se isso já não fosse suficientemente ruim, constantemente as empresas exageram nas características de seus produtos, podendo até levar o usuário ao erro.

Isso acontece principalmente com a terminologia “descarga contínua” e “descarga por pulso”. O Mooch testa as baterias levando em consideração a “pior das hipóteses”, ou seja, a descarga contínua, mesmo que normalmente nós utilizemos a descarga por pulso em nossos aparelhos.

Descarga contínua

Considera-se uma “descarga contínua” quando a bateria passa a fornecer energia sem parar. Isso não costuma acontecer na maioria dos aparelhos, pois eles são regulados por um chip de controle que limita o tempo de acionamento em no máximo 10 segundos. Apenas mods mecânicos, por não possuir chip de controle, podem ser acionados por tempo indeterminado. Um aparelho regulado só acionaria sem parar se apresentar defeito.

Mesmo nos mods mecânicos a descarga contínua não é algo normal, pois as tragadas costumam ter o mesmo tempo médio que nos regulados, algo em torno de 5 a 7 segundos, apesar de isso ser algo de cada um, provavelmente levará menos do que 10 segundos para encher seus pulmões de vapor. Isso significa que a descarga contínua só é levada em consideração por acionamento acidental no caso de mods mecânicos, sendo um dos principais motivos quando o usuário coloca o aparelho de pé em cima de uma superfície e o próprio peso do aparelho acaba acionando o botão do mod. Em raros casos é possível acontecer com aparelhos regulados com problemas no chip ou no botão de acionamento.

Se algo como isso acontecer, podem haver 3 resultados, levando em conta que você esteja usando uma coil compatível com a bateria no caso dos mods mecânicos:

  1. A bateria é indicada, portanto ela vai aguentar a exigência da descarga contínua, provavelmente vai esquentar, mas continuará fornecendo energia de forma segura até que seja descarregada por completa. Apesar de morrer, ela fará seu trabalho direitinho;
  2. A bateria não é indicada e pode ventilar, vazando componentes químicos para dentro do receptáculo em que ela esteja. Se não houver saídas de ar apropriadas, pode haver acúmulo de pressão e resultar em fuga térmica, ou seja, explosão;
  3. Uma mistura dos dois anteriores. Como há muitas variáveis na situação, a bateria pode estar dando conta do recado, mas por esquentar muito pode derreter algum componente do aparelho, que por sua vez agrave o problema e possa gerar vazamento ou até explosão;

O Mooch determina que uma bateria para ser corretamente nomeada com X ampéres deve conseguir entregar uma descarga contínua e chegar a no máximo 100º de temperatura interna. Esse tipo de limite foi determinado por ele e não é uma norma técnica, sendo puramente adotada pela comunidade por ser a única pessoa que realiza este tipo de testes.

Isso fez com que ele criasse uma tabela com todas as principais baterias que ele testou, chegando à conclusão que não existe bateria com mais de 30A “reais” e que normalmente baterias com 2500mah a 2600mah possuem no máximo 25A. Baterias com 3000mah ou mais não conseguem atingir mais de 20A de máxima descarga contínua.

Devo lembrar que este tipo de tabela leva em consideração uma visão bem conservadora e até um pouco “apocalíptica” da situação, pois considera sempre a possibilidade da bateria ser acionada acidentalmente sem parar, exigindo uma descarga anormal de energia.

Descarga por pulso

Este é o tipo de descarga exigida das baterias quando utilizamos nossos aparelhos de maneira adequada. Os ecigs ditos regulados, que possuem um chip que controla o dispositivo, possuem um corte automático de disparo de 10 segundos, ou seja, o aparelho simplesmente para de acionar após 10 segundos de aperto contínuo do botão “fire”. Essa é uma característica de segurança para evitar uma descarga contínua e um stress desnecessário da bateria. Como já vimos, normalmente os vapers utilizam tragadas ainda mais curtas, com uma média de 5 a 7 segundos cada, caracterizando a exigência de fornecimento de energia da bateria como “pulsos”. Mesmo os mods mecânicos acabam sendo limitados pelo quanto o usuário consegue puxar de vapor para seus pulmões e isso costuma demorar menos de 10 segundos.

Sabendo disso, o Mooch criou a tabela abaixo e explica cada informação conforme a legenda:

Mfg CDR = O valor de descarga contínua que o fabricante/revendedor informa;

Actual Cont. Dischg Rating (CDR) = O valor que o Mooch dá às baterias após os testes que realiza;

Max Vaping Amps (MVA) = A corrente máxima em pulsos que você pode utilizar sem ultrapassar o limite estabelecido por ele de 100º Celcius (o que já é absurdamente quente para uma bateria). Note que ele deixa claro que é possível ultrapassar esses valores, mas que existe risco caso aconteça um problema e a bateria receba uma descarga contínua, por isso ele acaba nivelando por baixo;

Não há mal nenhum em prezar pela segurança, principalmente dos novatos, mas creio que é importante saber os motivos ao invés de apenas causar um terrorismo psicológico dizendo que seu aparelho irá explodir, coisa que eu mesmo já fiz algumas vezes, confesso. Muitas vezes veteranos acabam assustando novatos pois considera-se preferível fazê-los ter cautela num primeiro momento de contato com o mundo do vapor até que entendam como as coisas funcionam e que as baterias são uma importante questão de segurança do que arriscar que eles acabem comprando e usando qualquer coisa, podendo resultar em um acidente.

Dito isso, é preciso entender que os padrões e limites definidos na tabela são conservadores e levam em consideração a “descarga contínua”. Nos testes ele exige da bateria uma determinada corrente (amperagem) de acordo com o fabricante, de forma ininterrupta e até descarregar, se ela ultrapassar os 100º centígrados significa que ela está incorretamente nomeada e deve ser considerado um valor menor, o que infelizmente é bem comum.

Como já vimos, não usamos nossos aparelhos de modo que possa ser considerado “descarga contínua” e sim “descarga em pulsos” pois os acionamentos sequer costumam passar dos 10 segundos, seja por limitação do mod ou da nossa própria capacidade pulmonar. Deste modo, isso significa que as baterias podem ir além dos amperes definidos na tabela, mas apenas por breves períodos e sempre conferindo se a bateria não esquenta demais.

O motivo pelo qual ele determina tais números é nivelar o limite por baixo, pois se houver descarga contínua seja por erro do usuário (o mais comum) ou por problemas no aparelho, pode ocorrer um acidente (grave), pois a bateria vai esquentar (muito), passará a ter componentes internos derretidos, o que aumentará ainda mais a temperatura até o ponto de vazamento ou até explosão. Mesmo que os aparelhos regulados tenham um chip que controle e limite o acionamento em 10 segundos, todo dispositivo eletrônico está sujeito à falhas, por isso que também é tão importante se certificar de que seu aparelho é original, pois dispositivos falsificados apresentam uma qualidade muito inferior e são mais sujeitos à problemas.

Os principais motivos de acidentes


Baterias de má qualidade

Os modelos indicados o são pois possuem as características necessárias que os aparelhos vão exigir. Jamais use baterias compradas em camelôs, baterias de lanterna, baterias de marcas desconhecidas ou sem marca. Tenha certeza da procedência das baterias que compra para evitar falsificações. Se o preço for barato demais, não há milagre, a chance de ser falsa é grande. Apesar de ser possível tentar identificar baterias originais e falsificadas, nunca dá pra ter certeza portanto o ideal é escolher bem seu fornecedor.

Carregar ou descarregar baterias além do limite

Este problema é mais comum em mods mecânicos, pois estes não possuem mecanismos de segurança. Carregar ou descarregar baterias além do limite é menos comum hoje em dia pois todo mod regulado possui proteções contra este tipo de problema ao carregar as baterias. Apesar disso indicamos a compra de um carregador decente, preferencialmente que informe as medições enquanto está carregando (com telas de LCD). Nestes casos, se for barato, provavelmente será ruim (existe um limite em que se pode baratear boa tecnologia).

Não compre carregadores chineses ou de marcas desconhecidas, indicamos Efest, Nitecore e Fênix. Não economize nos freios de um carro, um dia você vai precisar deles.

Deixar baterias soltas em bolsos e bolsas ou expostas ao calor

Baterias soltas em bolsos, bolsas, mochilas, etc, ao entrar em contato com metais vão fechar circuito e lhe causar uma bela surpresa, daquela dolorosa e que possivelmente deixa marcas.

Além disso, jamais deixe seu aparelho ou mesmo as baterias em locais quentes como dentro do carro exposto ao sol, o que infelizmente é um erro bem comum e existem vários casos comprovados de acidentes por causa disso.

Baterias com manchas, descascadas ou sem proteção

As baterias possuem um plástico de proteção em volta do seu corpo, isolando-o de contato externo. O pólo positivo e o negativo ficam nas extremidades e são as únicas coisas que devem estar expostas, pois são elas que entrarão em contato com as partes de metal dos aparelhos e assim fecharão um circuito e puxarão carga, fazendo tudo funcionar.

Qualquer outra parte exposta é ruim, muito ruim, pois permite que circuitos sejam fechados sem querer, por partes internas dos aparelhos ou até por objetos externos que acabem encostando nas baterias.

Com o tempo, à medida que as baterias são inseridas e retiradas dos aparelhos com certa frequencia, a tendência é que a proteção descasque, tenha pequenos rasgos e até acabe saindo.

Sempre mantenha suas baterias devidamente encapadas. Caso elas estejam perdendo a proteção, é fácil e barato comprar material próprio para encapá-las novamente, chamado normalmente no mercado por “plástico termo-retrátil” e como o próprio nome já diz, ele encolhe e se retrai com o calor.

Para aplicá-lo basta descascar a bateria retirando toda a proteção antiga, envolve-la no novo plástico (que será um pouco mais largo) e usar uma fonte de calor para o plástico se retrair e selar a bateria novamente. Normalmente para isso se usa um secador de cabelo, nada muito quente.

Na dúvida, muitas lojas de consertos de relógios e outros tipos de comércio podem lhe ajudar e o serviço é muito barato.

Veja como reencapar suas baterias

  1. Bateria sem a proteção;
  2. Plástico termo-retrátil aplicado no tamanho correto em relação ao comprimento da bateria, sobrando cerca de 2 cm para cada um dos lados;
  3. Coloque o círculo de isolamento que já deveria estar instalado quando você retirou a proteção anterior, você vai usar o mesmo;
  4. Aqueça o plástico termo-retrátil e ele vai encolher e selar a bateria novamente. Pode ser usado um secador de cabelo ou ainda um isqueiro, com muito cuidado para não queimar a proteção;

Cuide bem da bateria e se precisar descarte em local adequado

Evite quedas, jamais perfure ou amasse e ao menor sinal de aquecimento ou vazamento de líquido, coloque a bateria em um local isolado em que você possa deixar passar um tempo e se certificar que nada pior vai acontecer, passadas algumas boas horas, descarte-a em local apropriado, nada de lixo comum tampouco lixo reciclável, encaminhe ela a um empresa adequada (existem locais que recolhem este tipo de material, é só se informar).

Certifique-se de comprar aparelhos e baterias originais

Infelizmente existe muita pirataria na China, onde são fabricados praticamente todos os aparelhos. Além disso, o comércio de baterias falsificadas é muito lucrativo. Jamais compre um produto que não seja de um fornecedor recomendado pela comunidade. Evite comprar produtos no Mercado Livre ou em lojas físicas (pois além de cobrar muito mais caro, frequentemente tem produtos piratas), evite também qualquer loja que chame os ecigs de “narguile eletrônico” pois isso já é um claro sinal de quem está vendendo não é da comunidade. Baterias com uma quantidade absurda de mAh (capacidade) como 5000 mAh, 8000 mAh, 10.000 mAh são para lanternas e nem um pouco indicadas para o vapor. Baterias 18650 possuem no máximo 3.000 mAh.

Como funcionam baterias nos mods mecânicos (ou não regulados)


Mods não regulados ou mecânicos são “aparelhos” (normalmente apenas tubos ou caixas de metal) que não possuem chip ou nenhum mecanismo de controle. Eles servem apenas como invólucro das baterias, fecham o circuito normalmente através de um botão de metal e mandam toda a carga disponível da bateria para o atomizador.

São menos comuns que os regulados, porém ainda podem ser achados para compra e sem qualquer aviso de cuidado especial, porém são estes os maiores responsáveis por acidentes.

Como não possuem proteção alguma, se utilizados com resistências muito baixas ou com baterias com baixa capacidade de corrente contínua podem lhe causar problemas.

Mods não regulados são indicados apenas para usuários experientes.

Para utilizá-los de forma segura é preciso usar a Lei de Ohm e calcular qual será a corrente utilizada pelo sistema dependendo da resistência instalada.

Em um exemplo prático e rápido, uma bateria com carga cheia de 4.2V utilizada com uma resistência de 0.5 ohms exigirá uma corrente contínua de aproximadamente 8 amperes.

Temos um artigo que fala com detalhes sobre a Lei de Ohm aqui, mas confira o infográfico abaixo com um resumo:

Como funcionam baterias nos mods regulados


Diferente dos mods mecânicos, os mods regulados possuem mecanismos de proteção que impedem a maioria dos problemas.

Isso muda de modelo para modelo, porém a maioria das proteções são básicas e estão presentes em quase todos os aparelhos.

Alguns dos mecanismos de proteção são:

  1. O dispositivo para de acionar após 10 segundos ininterruptos;
  2. Proteção contra a instalação de baterias no sentido invertido;
  3. Checagem de resistências muito baixas;
  4. Controle de temperatura;
  5. Verificação da carga das baterias, impedindo o acionamento quando a carga for muito baixa;

Por ter um chip que controla todo o sistema, cálculo da amperagem exigida é feito de forma diferente:
Potência em watts ÷ quantidade de baterias ÷ carga da bateria em volts.

Em um exemplo prático: ao utilizar um mod com apenas uma bateria, que possuem normalmente um “cutoff” (carga mínima da bateria quando o mod considera que ela esteja descarregada) de 3.2V (valor mais comum, mas há aparelhos que trabalham com outros valores como 3.4V ou 3.0V), acionando a 50W, exigiremos um total de aproximadamente 15.62 A, independente da resistência utilizada. Aqui há uma variação de 5% a 10% pela conversão feita pelo chip e pela resistência interna da bateria, dependendo da eficiência do mod, indo para aproximadamente 17.18A.

Em outro exemplo prático, agora com duas baterias, acionando os mesmos 50W exigiremos apenas 7.81 A e mesmo levando em conta uma variação de eficiência energética de 10% ainda exigiremos apenas 8.59 amperes das baterias.

Baterias em série vs baterias em paralelo


Tanto mods regulados quanto mods mecânicos podem ser construídos utilizando baterias em série ou em paralelo. Existem diferenças importantes entre os dois tipos, apesar do usuário comum não ter muita preocupação sobre isso, pois o resultado acaba sendo o mesmo quando falamos em mods regulados, sendo muito mais importante que você entenda essas diferenças se for utilizar mods mecânicos.

Baterias em série

Em mods com baterias em série, a tensão(V) das células é somada, conservando a capacidade em mAh e a descarga máxima contínua em Amperes. Em um aparelho regulado, isso proporciona que ele alcance potências mais altas sem perder eficiência devido à conversão. 

Por exemplo, com duas baterias de 4.2V, 3000mAh e 20A ligadas em série, teremos uma tensão total de 8,4V, capacidade de 3000mAh e 20A.

É por isso que a maioria dos aparelhos regulados utiliza baterias em série, sendo muito mais eficiente já que o chip do aparelho controla a tensão de saída para o atomizador, porém a situação é diferente em mods mecânicos, onde a descarga da bateria vai direto ao atomizador, o que, devido à tensão mais alta, limita o valor de resistência que se pode usar sem ultrapassar o limite de corrente que a bateria consegue suportar.

Para mods mecânicos, utilizamos a seguinte tabela de referência entre resistências e corrente, considerando duas baterias recém carregadas com 4.2 volts em série, totalizando 8,4V:  

Usando a fórmula I = V/R temos:

Baterias em paralelo

Em mods de baterias em paralelo, a Tensão (V) do conjunto se conserva e a capacidade (mAh) e descarga contínua máxima (A) aumentam. Em mods mecânicos isso é bastante vantajoso, possibilitando que o usuário tenha uma flexibilidade maior no valor de resistência que pode ser utilizado. Porém em mods regulados essa tensão mais baixa limita a potência que o aparelho consegue atingir devido a limitações dos chips, por este motivo são poucos os modelos regulados que usam baterias em paralelo.

Por exemplo, com duas baterias de 4,2V, 3000mAh e 20A ligadas em paralelo, teríamos teoricamente um conjunto com 4,2V, 6000mAh e 40A. Contudo, na prática a descarga não chega a dobrar devido às diferenças de resistência interna de uma bateria pra outra (o que faz uma ser mais exigida do que a outra) e também há perda de energia nas conexões das baterias.

Nesse caso, é convencionado o uso de uma regra simples para saber quanto é o limite de descarga em um mod mecânico com baterias em paralelo. Basta somar a descarga de uma bateria com a descarga da próxima retirando 50% de cada bateria adjacente à primeira, como na fórmula abaixo:

Descarga contínua total = Bateria 1 + (Bateria 2 -50%) + (Bateria 3 -50%) + …

Em um mod que utilize duas baterias de 20A de descarga contínua cada, dispostas em paralelo, temos:

Descarga total = 20A + 10A (metade da descarga da segunda) = 30 Amperes

Para mods mecânicos, utilizamos a seguinte tabela de referência entre resistências e corrente, considerando duas baterias de 20A recém carregadas com 4.2 volts cada, em paralelo, totalizando 30A em conjunto.

Como podemos ver, é possível utilizar resistências bem mais baixas em mods mecânicos paralelos, desde que respeitados os limites e considerada uma margem de segurança.

 

Aparelhos com duas ou mais baterias precisam ter baterias casadas


Tanto aparelhos regulados quanto mecânicos que utilizam 2 ou mais baterias precisam ser usados com baterias casadas, ou seja, baterias que serão usadas sempre juntas até o final de suas vidas úteis.

O ideal é que sejam baterias compradas juntas, mesma marca e modelo, mesma capacidade e especificações técnicas, preferencialmente do mesmo lote, o mais próximo possível de gêmeas perfeitas.

Além de tudo isso, elas precisam permanecer juntas o resto de sua vida útil, sendo carregadas e utilizadas ao mesmo tempo e no mesmo aparelho ou carregador. Se o seu aparelho usa baterias em série (provavelmente seja, é mais comum como já vimos) elas também devem trocar as posições a cada nova utilização (direita/esquerda, esquerda/direita) inclusive é indicado trocar de posição também no carregador e não apenas no mod.

Mas por que tudo isso?

A resposta curta

Ao longo do tempo as baterias perdem sua força e lentamente vão de encontro à sua morte, mas elas precisam caminhar para o limbo de forma equivalente e isso não ocorre naturalmente porque a primeira bateria da série sempre é mais exigida do que as outras.

Para diminuir essa diferença é necessário um rodízio, tanto ao usá-las quanto ao carregá-las (mudar a posição das baterias no aparelho e no carregador). Se você não controlar essa carga/descarga uma das baterias terá um desgaste prematuro, o que irá gerar um stress em todo o sistema e pode resultar em fogo na cara, dor e arrependimento.

A resposta longa

Baterias geram energia por um processo químico que ocorre dentro delas. Elas são feitas de células e cada uma possui um terminal positivo e um negativo mergulhados em uma solução eletrolítica. Quando você fecha circuito (“liga” elas) os íons se movimentam de um pólo ao outro gerando energia. O ato de “carregar” é simplesmente retornar esses íons ao local de origem deles, prontos para voltar a realizar o mesmo processo. À medida que o processo se repete várias vezes, um pouco dessa energia é perdida (pois nada dura para sempre) até que um dia a bateria praticamente não possui mais íons para ir ou vir.

Nos últimos tempos a demanda por energia aumentou com aparelhos chegando até 200W ou mais e como ninguém descobriu uma nova tecnologia mágica que permita que tenhamos baterias mais potentes, foi necessário aumentar a quantidade de baterias do sistema. Temos visto o mercado lançar novos modelos de baterias maiores que por sua vez são mais potentes, tem mais carga e suportam maior corrente, voltando a diminuir a quantidade de baterias nos aparelhos.

Portanto não temos mais apenas um elemento tendo reações químicas e sim dois ou mais. Se um desses elementos começa a falhar prematuramente, o outro, mais novo e com mais energia, tentará compensar a falha do mais velho, causando um stress que pode ultrapassar seus limites e ai você já sabe o que acontece, tem a ver com dor e fogo.

Algumas dicas para facilitar o casamento de baterias

  • Compre baterias novas, de mesma marca, modelos e especificações técnicas como capacidade em mah e sempre com descarga de pela menos 20A;
  • Nunca as use separadas. Você pode até usá-las em mods diferentes, mas sempre juntas (apenas em mods com o mesmo número de baterias) e sempre carregue-as também juntas. Cada vez que usá-las troque-as de lugar (direita vai para o lado esquerdo e vice-versa), faça o mesmo no carregador;
  • Verifique a voltagem de ambas, se não tiver um carregador que lhe informe isso, compre um multímetro e faça a medição tanto na saída do mod quanto na do carregador;
  • Para facilitar o rodízio, marque as baterias com números (1 e 2) ou letras (A e B) ou seja criativo (Adão e Eva, Romeu e Julieta, Tom e Jerry, etc), o que importa é trocá-las de posição à cada utilização pois a primeira da série sempre recebe o maior desgaste;
  • As baterias devem possuir sempre a mesma voltagem (já que andam sempre juntas é natural e esperado que isso aconteça). Para que elas sejam consideradas “despareadas” a diferença de voltagem deve ser acima de 0.2V a 0.3V entre elas. Algumas pequenas variações são normais;

Conclusão?


Penso que o vapor deveria ser utilizado exclusivamente como método antitabagista para largar os cigarros, mas entendo que a coisa toda tenha um grande apelo como hobby, parece que o ser humano é naturalmente atraído pela “fumaça”, talvez seja herança de nossos ancestrais que viam nela um sinal de fogueira e segurança naturalmente atrativo.

Os aparelhos são “gadgets” com todo o apelo nerd dos dias modernos e o ritual de fabricação e instalação de coils é um prato cheio para quem gosta de trabalhos manuais minuciosos, quase uma terapia.

Mas infelizmente muitas vezes as pessoas não se informam direito quando resolvem que vão usar um cigarro eletrônico, não fazem pesquisa de preço e compram qualquer coisa, às vezes superfaturado e o pior, falsificados. Mesmo quando se livram das alternativas anteriores, ainda tentam usar os aparelhos sem sequer ler o manual, queimam as resistências, compram qualquer tipo de bateria, utilizam os aparelhos em modos errados, entre tantos erros de principiantes.

Fogão, microondas, ferro de passar roupa, liquidificador, são aparelhos que sabemos usar porque fomos criados com eles e teoricamente eles são inofensivos, mas experimente colocar sua pizza para esquentar no microondas junto com os talheres de metal ou esqueça o ferro de passar ligado em cima da roupa.

A questão é que o ser humano está perdendo aquele instinto de sobrevivência que mandava cheirar antes de provar. Os cigarros eletrônicos são tão seguros quanto qualquer aparelho, funcionam maravilhosamente bem como método antitabagista e já livraram milhões de pessoas do cigarro quando nada mais adiantou, mas é preciso se informar o mínimo possível antes de sair usando.

Um agradecimento especial aos amigos que contribuíram com informações para este artigo e um especial para o Isentão, Oráculo e ao Porra Nenhuma!