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Entenda como funciona o controle de temperatura

Este artigo foi atualizado em Dezembro de 2018 portanto vale a pena ler de novo tanto para aqueles que ainda não sabem como o TC – Temperature control ou Controle de Temperatura funciona e até aqueles que já tem uma noção, pois é sempre bom rever a matéria.

Hoje todos os aparelhos regulados que se prezem são fabricados com a função de controle de temperatura, porém a falta de informação pode muitas vezes causar confusão e em alguns casos até oferecer certo risco pois alguns tipos de fios metálicos devem ser usados apenas neste modo e se usados de forma errada podem produzir compostos nocivos.

Então vamos organizar as ideias pois o objetivo do controle de temperatura é permitir uma experiência diferente enquanto garante uma segurança maior no consumo do vapor, impedindo exatamente que materiais atinjam temperaturas muito altas e assim produzam compostos potencialmente prejudiciais à saúde.

NÃO EXISTE CONTROLE DE TEMPERATURA


Isso mesmo. A indústria criou um sistema e o nomeou de forma equivocada, mas a coisa pegou e não posso criticar porque é comercialmente mais atrativo, mas a verdade é que temos um limitador de temperatura definido pela resistência da coil ou seja, temos um controle da resistência e não um controle de temperatura.

Uma das características de todo metal é sua resistência elétrica. Alguns são muito resistivos, outros menos, outros praticamente não são resistivos. Isso significa a facilidade (ou dificuldade) de se passar uma corrente elétrica neste material. Pode ser qualquer coisa, de latão ao ouro. Isso serve claro para titânio, níquel, aço ou kanthal que são os metais mais comumente usados nas coils.

Além da capacidade de resistência elétrica, os materiais também possuem outra característica que é a mudança desta resistência de acordo com sua temperatura, o chamado TCR que significa Temperature Coefficient of Resistance ou Coeficiente de Temperatura da Resistência. Apesar do nome complicado, isso nada mais é do que a propriedade de aumentar sua resistência elétrica à medida que sua temperatura aumenta, sendo o TCR um fator que define a relação entre essas duas coisas.

Isso quer dizer que o mod não sabe a temperatura da coil, pois não há nenhum sensor dentro do atomizador. O que ele lê é a resistência do fio e de acordo com esses cálculos ele faz uma estimativa da temperatura.

Usemos um exemplo para melhor entendimento: digamos que um fio X qualquer tenha 0.10 ohms em temperatura ambiente. Se eu aplicar uma corrente elétrica neste fio ele vai esquentar e quando ele chega a 100º C ele passa a ter 0.15 ohms, quando chega a 200º C ele vai para 0.20 ohms e assim por diante. É isso que o controle de temperatura faz, ele verifica o tempo inteiro qual é a resistência do fio e indica a você qual é a temperatura que ele acha que o fio está, de acordo com o TCR do fio que você definiu. Como há uma relação que não muda entre a temperatura e a resistência, fica fácil para o mod “adivinhar” a temperatura desde que ele saiba qual é o tipo de fio que ele está trabalhando e também qual foi a resistência inicial.

Nesta tabela é possível verificar a diferença entre os materiais. Enquanto no Kanthal A1 a resistência sofre uma alteração de apenas 0.04% quando passa de 20º C (temperatura ambiente) para 200º C (quando o mod é acionado) contra mais de 100% de mudança no caso do níquel, mais do que dobrando sua resistência quando passa pelo mesmo processo. É por isso que não é possível usar Kanthal no modo controle de temperatura, o mod simplesmente não consegue identificar mudanças tão pequenas na resistência a ponto de estimar a temperatura do fio, portanto é preciso usar no mínimo aço inox que possui uma variação muito maior.

BENEFÍCIOS


A maioria dos potenciais riscos que podem ser produzidos em um cigarro eletrônico provém do excesso de calor produzido na coil. Um dos compostos nocivos são os formaldeídos produzidos através do “dry-hit” termo usado quando acionamos o aparelho com o algodão seco e sentimos gosto de algodão queimado. Isso não acontece com o controle de temperatura pois o aparelho identifica uma brusca variação na resistência, sinal de que o algodão está seco, e não aciona.

Outra grande preocupação é a acroleína, uma toxina produzida pela decomposição da glicerina vegetal (conhecida como VG – Vegetable Glycerin) quando passa dos 280º Celsius. Lembrando que o ponto de ebulição da VG é de 290º Celsius, que é a razão pela qual não se recomenda utilizar líquidos que sejam 100% VG. Adicionando um pouco de Propilenoglicol se reduz a temperatura de vaporização abaixo do ponto em que a acroleína poderia ser produzida. Em estudos sobre a fumaça do cigarro normal, a acroleína foi a principal contribuinte para os males à saúde não ligados à agentes cancerígenos.

Além disso, cinamaldeído, mais conhecido como sabor de canela nos líquidos para vaporar, é um químico muito próximo da acroleína e o excesso de calor pode catalisá-lo para a acroleína, o que pode ser o motivo do qual alguns recentes estudos em tecidos de pulmão de ratos mostraram que o vapor de canela apresentou uma toxicidade maior do que líquidos sem sabor.

Portanto podemos concluir que o excesso de temperatura não é algo que queremos e o controle de temperatura nos dá um aumento de segurança.

Tirando de lado as questões de benefícios à saúde, existem várias melhorias para a experiência de vaporar em si que o controle de temperatura pode oferecer. Muitos relatam um aumento de sabor devido à temperatura constante da coil além de haver um significativo aumento da vida útil do algodão ou da sílica utilizados no atomizador, sem riscos de queimar por estarem secos.

TIPOS DE FIOS E SEU USO NO CONTROLE DE TEMPERATURA


No vapor são utilizados diversos tipos de fios, alguns podem ser usados no controle de temperatura, outros não, vamos à eles:

Kanthal ou FeCrAl ou Nichrome são os tipos mais comuns utilizado no vapor e praticamente os mesmos salvo pequenas modificações ou proporções na composição. Todos estes tipos devem ser usados apenas no modo POWER pois sua variação de resistência é mínima.

Níquel puro ou Ni200 é um fio com pouquíssima resistência e grande variação quanto aplicada corrente, o que o torna ideal para o controle de temperatura, mas jamais deve ser usado no modo POWER pois neste modo há degradação do material criando compostos nocivos. Existe uma pequena chance de alergia e há preocupações com a contaminação do metal no vapor inalado.

Titânio é muito parecido com o níquel porém apresenta uma resistência maior, além de esquentar e esfriar mais rapidamente. Também não pode ser usado em modo POWER pois cria o dióxido de titânio o que é bem ruim de inalar. Titânio pode pegar fogo, um fogo que nenhum extintor comum vai conseguir apagar, sendo necessário um extintor classe D que praticamente ninguém tem em casa.

Aço Inoxidável (ou SS de Stainless Steel) é o melhor dos dois mundos porque pode ser usado no modo POWER exatamente como Kanthal/FeCrAl/Nichrome e possui variação suficiente quando aplicada corrente para ser usado no modo controle de temperatura. Vários vapers atestam que é um fio que apresenta um sabor mais claro e definido.

Titânio e níquel estão caindo em desuso e gradativamente saindo do mercado por causa das preocupações com segurança. Sendo o aço inox mais seguro e mais barato, não há o porquê utilizar outro tipo de fio. Apesar disso o Kanthal, FeCrAl e Nichrome ainda são amplamente usados.

COMO USAR NA PRÁTICA


Apesar de haver centenas e talvez milhares de diferentes modelos de aparelhos que possuam o controle de temperatura, a sistemática é sempre a mesma. Além do aparelho com a tecnologia, é preciso usar um atomizador que tenha uma coil instalada que seja feita de metal compatível. Como vimos é possível ser de níquel puro, titânio ou preferencialmente aço inox.

Sugerimos que sempre use um sistema de coils do mais simples possível. No mercado há todo tipo de coil, algumas extremamente complexas, com misturas de fios, técnicas rebuscadas de trançamento e outras características que aumentam o sabor e as tornam ótimas para o modo POWER, mas tecnicamente só atrapalham o controle de temperatura. Se quiser entender mais sobre as coils leia este artigo.

Tudo se resume à capacidade do chip de interpretar a variação da resistência e assim determinar por relação qual é a temperatura do fio. Acrescentar complexidade à isso é dificultar o trabalho do chip, resultando em leituras incorretas e até mal funcionamento. Via de regra o ideal é usar apenas uma coil e que seja feita de fio simples, evitando qualquer tipo de coil trançada, Clapton ou outras.

Porém, é entendido também que uma coil mais complexa como as Claptons ou usar mais de uma coil, em um sistema dual coil por exemplo, aumenta a percepção de sabor pela maior quantidade de líquido vaporizado, portanto pode ser interessante fazer testes até encontrar a melhor combinação para você. O objetivo é atingir um equilíbrio entre simplificar o trabalho do chip e assim garantir a boa interpretação da leitura sem perder a chance de conseguir um melhor sabor. Neste quesito sugerimos um par de Claptons de aço inox puro como ponto de partida.

Isso não significa que o controle de temperatura não vá funcionar com coils mais complexas ou sistemas com mais coils, apenas que para obter uma maior eficiência do controle de temperatura, quanto mais simples, melhor.

Uma vez que a coil esteja instalada no atomizador, o chip precisa ser informado do tipo de metal e da sua resistência em temperatura ambiente para ter assim um ponto de partida, é o que muitos modelos consideram “travar a coil”. Como há cálculos e fórmulas matemáticas diferentes para cada tipo de metal, é imprescindível que você informe corretamente o tipo do fio. Se está usando níquel é preciso configurar o aparelho no modo níquel e assim por diante. Desta forma o chip poderá usar este valor como inicial e à partir daí fazer os cálculos necessários para identificar corretamente a temperatura relativa quando houver passagem de corrente e a coil efetivamente esquentar.

Após o travamento da coil, é preciso configurar o aparelho. Normalmente há duas regulagens: a temperatura que será diretamente ligada à temperatura do vapor que normalmente vai até 300 º Celsius e que podemos referenciar como sendo a velocidade final de um carro. A segunda regulagem é a potência em watts, que podemos referenciar como sendo o quão rápido você quer acelerar para chegar na velocidade (para nós a temperatura) desejada. Quanto maior a potência, mais rápido você atingirá o valor informado.

POR QUE USAR O CONTROLE DE TEMPERATURA?


Como muitas coisas no vapor, é algo relativo e pessoal. A experiência muda, o tipo de vapor, o volume, a percepção do sabor, tudo fica diferente.

O controle de temperatura apresenta vantagens como limitar a temperatura máxima da coil, atualmente definida em torno de 300º C na maioria dos aparelhos, pois uma temperatura excessiva é alvo de preocupação em alguns estudos científicos que alertam sobre a possibilidade de produção de compostos nocivos nestas condições. Da mesma forma que evita também a ocorrência dos chamados dry-hits quando o algodão queima por não estar devidamente encharcado de líquido. Dry-hits são sinal de preocupação por especialistas que encontraram neles a criação de compostos cancerígenos.

Usar o controle de temperatura também é uma questão pessoal e seus benefícios são bem vindos, mas não estritamente necessários já que todos os aparelhos atuais possuem mecanismos de segurança que mantém o usuário tão seguro quanto possível mesmo ao usar o modo mais simples em watts. O mercado reage de forma a minimizar problemas e as empresas, por pressão da própria comunidade e de seus consumidores, avançam para aumentar a qualidade e segurança de seus produtos ao longo de todo o espectro, desde o algodão, material dos fios, atomizadores, aparelhos e acessórios.

Experimente o controle de temperatura se quiser algo diferente e descubra se é algo que vai lhe agradar.

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