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Cuidado com o que lê! Sabe como são feitos alguns estudos “científicos”?

Você já teve ter visto algum estudo que a mídia te empurrou para encher linguiça na pauta do dia, seja no programa da Sônia Abrão ou no Jornal Nacional, quando as coisas começam mais ou menos assim:

“Cientistas dizem que peidos podem prevenir câncer” (matéria é real e de ninguém menos que a revista TIME).

Na verdade, um estudo da MedChemComm publicou um press-release e não mencionou nenhuma das duas coisas, simplesmente informando que alguns compostos sulfosos são ferramentas úteis para estudar disfunção mitocondrial. Apesar da materia ter sido corrigida, os cientistas dizem que até hoje recebem ligações perguntando sobre os peidos.

Para comprovar que um estudo pode ser completamente deturpado até chegar ao consumidor interessado neste dado (nós), veja a sequência de absurdos que ocorreram no caso abaixo, começando em sua fonte e terminando no jornal local:

  1. “AJOG – American Journal of Obstetrics and Gynecology produziu um estudo que dizia que num controle efetuado em um grupo de um total de 129 mulheres, separadas por àquelas que iriam consumir chocolate e outras que não iriam consumir, para verificar se haveria alguma diferença significativa em qualquer alteração da pré-eclâmpsia, uma doença gravíssima que afeta tanto a mãe quanto o bebê, podendo levar ao óbito de ambos. Então, estas mulheres que faziam todas parte de um grupo de risco puderam testar e comparar resultados, o que acabou comprovando que comer chocolate não teve nenhum impacto sobre a possibilidade de ter ou não pré-eclâmpsia.
  2. Outra organização médica pegou esta pesquisa e fez a seguinte chamada no seu press-release: “Os benefícios do chocolate durante a gravidez” e explicou o estudo, até ai de forma natural.
  3. O problema é que parece que produtores de jornais locais só lêem os títulos dos press-releases pois fizeram uma matéria televisiva, veiculada no canal 4 da WBZ, afiliada da CBS em Boston, dizendo que comer 30g de chocolate, o equivalente a 2/3 de uma barra, pode melhorar o fluxo de sangue para a placenta e aumentar as chances do não desenvolvimento da pré-eclâmpsia.

Mas não era absolutamente nada disso que a pesquisa falava!

Portanto temos sempre que procurar as fontes das informações e cuidar com o que estão empurrando, precisamos nos perguntar “quem fez isso?”, “para quem trabalha?”, “são profissionais renomados?”, “qual foi a metodologia aplicada?”

Quanto à metodologia, em alguns casos tratados no vídeo a quantidade de pessoas estudadas é tão pequena, beirando menos de uma dúzia que acaba-se mascarando os resultados com estatísticas esticadas quase ao ponto de ruptura, transformando a pesquisa em algo completamente superficional e provavelmente equivocada.

Em relação aos cigarros eletrônicos já se sabe que eles são pelo menos 95% menos prejudiciais do que os cigarros convencionais, com pesquisas independentes em diversos países, com milhares de pessoas e com prazos que se estendem por muitos anos de pesquisa. Porém já foram lançadas várias pesquisas que apontavam graves riscos aos produtos e que depois foram desmascaradas por possuírem metodologias complexamente falhas e dados inconsistentes.

Deixo você com o vídeo completo, muito engraçado para quem domina o inglês, de um dos meus canais favoritos do Youtube, John Oliver com seus comentários sarcásticos, porém sempre com assuntos sérios e normalmente um twist muito bem bolado no final.

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