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Como são feitas as análises de juices

O Vapor Aqui possui muitas análises de juices nacionais e importados, um trabalho que é bastante criterioso e dedicado à entregar a melhor informação aos vapers de forma a traduzir conceitos bastante subjetivos em uma análise a mais objetiva possível.

Na tentativa de esclarecer alguns pontos de como tento fazer isso e também contribuir para o enriquecimento da forma como os vapers provam e apreciam seus juices, achei interessante produzir este artigo que explica em detalhes os métodos que utilizo para chegar a um artigo de análise.

Primeiro é preciso confirmar o óbvio, gosto é algo pessoal e o melhor juice para mim pode ser o pior para você e vice-versa. É por isso que o foco das análises nunca foi dizer “eu gostei deste juice, ele é bom” ou “este juice é ruim, eu não gostei” e sim tentar partir da proposta da marca e analisar se ela conseguiu atingir o objetivo, descrevendo os sabores e notas encontradas.

Notas de análise

Para dar notas aos juices, foram definidos 5 critérios que tentam analisar o produto como um todo:

Embalagem

Sempre que faço uma análise de um juice de uma marca inédita no site, primeiro faço um artigo analisando somente a marca, falo um pouco de sua história, seu posicionamento no mercado, seu cardápio de sabores e aproveito para analisar o produto como um todo, desde a caixa (se ele vier em uma) até o frasco, incluindo o rótulo e principalmente analisando as informações oferecidas. Esta nota engloba tanto a qualidade do frasco e etiqueta, mas principalmente a quantidade de informações relevantes como percentual de nicotina, avisos de segurança e também a facilidade de leitura destas informações. O produto tem que ser bonito, prático e informativo.

Sabor

A nota que define o quanto um juice é saboroso, simples. Ele pode ser de um sabor que não me agrade especificamente, mas se ele possui notas definidas, se ele consegue entregar 2 ou 3 sabores que são facilmente identificados individualmente, mas que ao mesmo tempo combinam harmoniosamente entre si com notas de correlação, mesmo que o sabor em si não agrade ao meu gosto pessoal, recebe uma nota alta.

Vapor

O item mais fácil de analisar pois é uma ciência exata e o costume de vaporar já dá bastante certeza na identificação do percentual de glicerina utilizada. A produção de vapor tem que ser condizente com o percentual informado. Se houver pouco vapor e o percentual de glicerina informado for alto, perde pontos.

Experiência

Este quesito é voltado à sensação que o líquido apresenta, sempre baseada na descrição oficial do líquido feita pelo fabricante. Se uma marca diz que seu líquido é um “uma deliciosa torta cremosa de limão com toque de tangerina e notas de morango” queremos sentir exatamente isso, mesmo que eu odeie todos os ingredientes de uma receita como essa, quanto mais ela atingir o objetivo, mais alta é a nota. É por isso que gosto tanto de fabricantes que declaram descrições oficiais para seus juices, que ainda bem são a maioria do mercado, pois assim e tenho um ponto de referência. Caso ele não tenha, eu preciso especular um pouco.

Com este critério, um juice pode ser delicioso ao meu gosto, mas se não entregar exatamente aquilo à que se propõe, perde nota em “experiência”.

Custo benefício

É um item que agrega o quanto o produto vale no mercado em comparação com seus concorrentes. Se os critérios anteriores tiverem notas altas, porém o mercado oferecer produtos similares à preços mais competitivos, perde nota neste quesito. Também levamos em conta a dificuldade de obter o produto no mercado brasileiro, dependendo de importação e preços em dólar, além de questões que podem encarecer o produto como uma apresentação diferenciada.

Metodologias de análise

Para chegar até as notas utilizo algumas metodologias para analisar da forma mais justa e aprofundada que a minha percepção pode chegar. Para isso é interessante lembrar que além de ter provado centenas de juices ao longo de todo o tempo de projeto do Vapor Aqui, sou juicemaker entusiasta e já desenvolvi várias receitas para produtos de bastante popularidade.

Dito isso, do ponto de vista da embalagem o trabalho é muito simples, me baseio no que o mercado definiu como padrão e critico as marcas que não seguem essas tendências.

Os pontos de crítica mais comuns são produtos sem informações de segurança com avisos essenciais como “mantenha longe de crianças e animais”, “este produto contém nicotina, uma substância que vicia”, o percentual de nicotina do produto e em casos um pouco mais subjetivos, identidades visuais confusas ou poluídas que dificultam a leitura das informações.

Também é importante que os frascos possuam lacre e tampa anti-crianças.

Chegando ao líquido em si, não consigo provar um juice pela primeira vez em frente à câmera quando faço um vídeo ou em frente ao computador quando escrevo um artigo e dizer a primeira coisa que vem à minha cabeça. Penso em todo o trabalho dedicado ao desenvolvimento daquela receita, tempo e dinheiro investidos e não acredito que fazer isso seria justo com a marca que gentilmente me encaminhou um produto para análise.

Juices são complexos, apresentam notas variadas cuja interpretação sofre distorções e muda de acordo com vários fatores como temperatura, bebidas ou comidas recém consumidas, minha própria saúde no momento (caso esteja gripado ou com outra condição que altere o olfato ou paladar) e muitas outras coisas, note que nem falei ainda dos setups de prova.

Obviamente que o setup é muito importante portanto faço testes com coils complexas de material adequado, algodão de qualidade e utilizo tanto atomizadores do tipo RTA quando RDA. As configurações variam e tento sempre que possível alternar entre single e dual coil. Utilizo coils de modelo Clapton ou alguma variação, gosto especialmente das Fused Clapton, porém não utilizo coils extremamente complexas pois não quero basear as análises em setups que não sejam facilmente obtidos por qualquer vaper, isso desafiaria o propósito pois a ideia é testar o líquido em um ambiente que possa ser replicado por qualquer pessoa. No quesito algodão é a mesma coisa, utilizo marcas comerciais que encontramos em qualquer loja recomendada.

É por isso que o teste de um sabor deve ser feito durante vários dias.

Além disso, faço testes de forma exclusiva e também em rotatividade com outros sabores, exatamente como o vaper normal vai utilizar.

Parte de ter um sabor que mereça nota alta, bem como uma nota alta na experiência, é competir com outros sabores e ainda assim ser percebido claramente, do que adianta um juice extremamente suave que só pode ser consumido em um setup novinho em folha? Quem tem um atomizador para usar com um único líquido? Ainda mais hoje em dia com a popularidade das coilheads, não há esse tipo de escolha, portanto o produto tem que ser capaz de se fazer presente mesmo após o uso de outro líquido.

É preciso entender que o ato de vaporar em si é muito mais complexo do que apenas inhale (o ato de puxar o vapor) e exhale (o ato de soltar o vapor). Quem diz perceber notas claras no inhale não sabe do que está falando.

O sabor está no exhale, não no inhale

Lanço a você um desafio: escolha um momento em que você não esteja vaporando por algum tempo, prepare um setup com um juice que você goste e conheça bem e dê uma “tragada” tentando perceber qualquer sabor definido na hora de puxar. Você não vai encontrar nada muito relevante. Isso porque a língua é um mecanismo pobre para percepção de sabores através do vapor e mesmo na percepção dos sabores no resto das coisas ela é só parcialmente responsável.

Sentimos realmente os sabores e notas no exhale, somente quando soltamos o vapor e há muitos motivos para explicar isso. A língua só percebe sabores de coisas líquidas, por isso a saliva é tão importante no processo alimentar de coisas sólidas. Quanto puxamos vapor, estamos fazendo passar ar na boca o que dificulta a produção de saliva, porém durante essa passagem são depositadas gotículas de líquido trazidas pelo vapor que por sua vez são combinadas com a saliva e só quando realizamos o exhale e o vapor passa novamente pela boca, invadindo as vias respiratórias, é que temos a explosão de sabor.

Quando vaporamos em sequência, (conhecido como chain vape), acabamos combinando com o próprio ato de respirar e inalando pelo nariz parte do vapor, que condensa e também se transforma em líquido, sendo percebido pelo olfato e ajudando na falsa percepção que o inhale produz notas de sabor, o que em si não é verdade se considerarmos um inhale puro.

Modelo antigo que considerava áreas da língua para percepção de sabores, hoje completamente descartado pela medicina

A medicina já sabe que a percepção de sabores não é nem de longe competência só da língua e que muitos outros fatores influenciam, principalmente o olfato, mas também fatores menos óbvios como a apresentação do produto e até o preço. Exatamente, nosso cérebro tende a perceber um produto como “melhor” ou “mais gostoso” se ele possui apresentação mais bonita e muitas vezes considera um produto melhor quando é mais caro. Por isso temos notas para “embalagem” e “custo benefício”.

Outra curiosidade é que aquela divisão clássica da língua em áreas para amargo, azedo, salgado e doce já foi completamente descartada pela medicina, hoje sabe-se que os sabores são todos percebidos em qualquer área da língua e também na epiglote, faringe e laringe. Se você tem mais de 30 anos, tudo o que você aprendeu na escola sobre a língua estava errado!

Hoje sabemos que nossa percepção está em 5 sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo e umami. Este último trata-se de uma sensação agradável que dá água na boca, reveste a língua e deixa um gosto duradouro. Você não consegue senti-lo de forma isolada: ele apenas melhora os outros sabores. A palavra, de origem japonesa, significa “gosto saboroso e agradável”.

O umami é detectado por receptores na língua para o glutamato. Ele está presente em tomates, queijo parmesão, shoyu e cogumelos shiitake na forma de glutamato monossódico. Pronto, você acabou de entender como funciona o famoso Ajinomoto que deixa aquele gostinho diferenciado na comida, criado em 1909.

Este sabor foi identificado em 1908 por um químico japonês e só foi reconhecido oficialmente na década de 80. Nesse meio tempo, muitos pesquisadores estavam bastante céticos de que a língua pudesse detectar algo além do doce, salgado, amargo e ácido – mas eles estavam errados.

Como vê, juices só podem ser devidamente analisados através de tempo e uma análise feita em frente à câmera jamais cumpriria o objetivo, por este motivo algumas vezes demoro um bom tempo para realizar uma avaliação. Mas tenho um compromisso de publicar avaliações de todos os produtos que sejam enviados para o Vapor Aqui, não importa o quanto isso demore.

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