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Como as coils são feitas

Uma das particularidades do vaping é a possibilidade de se fazer as resistências utilizadas nos atomizadores dos aparelhos o que permite controlar a experiência do usuário, além de abrir margem para um hobby praticamente terapêutico. A confecção de coils é uma das partes mais icônicas do vapor partindo desde tipos de técnicas sendo inventadas por verdadeiros artistas até usuários que só querem tirar um pouco mais de sabor de seus líquidos.

Fazer coils requer um pouco mais de conhecimento, não apenas para ter um resultado satisfatório, mas também pela questão da segurança.

Vantagens e desvantagens


A maioria dos atomizadores de hoje em dia (os tanques onde você coloca o líquido que vai consumir) permitem a instalação de resistências, utilizando uma base chamada RBA (de Rebuildable Base Atomizer ou Atomizador com Base Reconstrutível). Ao contrário das bobinas ou coilheads que bastam ser trocadas através de rosca, as bases RBA exigem um pouco mais de trabalho para instalar as coils e o algodão.

Apesar disso o custo das coils é muito menor em relação às coilheads e o sabor retirado delas é muito maior.

 

Base RBA com resistência e algodão montados

AWG? SWG? WTF?


Começamos falando sobre o termo AWG que refere-se a American Wire Gauge, que é uma medida padronizada para fios e cabos elétricos em geral (não apenas para ecigs). A faixa mais comumente utilizada nos ecigs é a de 26 AWG (0,40mm) até 32 AWG (0,20mm), mas podem ser usados outros. É basicamente o tamanho da bitola do fio, mais fino ou mais grosso.

Tabela de AWG e seus diâmetros em milímetros e na comparação com SWG (Standard Wire Gauge) que é muito menos usado

Resistência vs AWG (diâmetro do fio)


Muitas pessoas acabam tendo dúvidas na relação entre fios / resistência, que nos obriga a conhecer a Lei de Ohm e nem todo mundo tem uma memória boa o suficiente para lembrar o que estudou no 2º grau, então quando eu estava aprendendo sobre o vapor acabei adotando uma comparação que facilitou muito o meu entendimento.

Ao invés de pensarmos em eletricidade, pensaremos em água e ao invés de pensarmos em fios e metais, pensaremos em mangueiras.

Vamos imaginar que temos 3 mangueiras.

Mangueira curta e fina
Mangueira longa e grossa
Mangueira longa e fina

Vamos dizer que a resistência é a dificuldade imposta pela mangueira para fazer com que a água vá da torneira até a saída e encha um balde. Quanto maior a resistência, mais tempo eu vou levar para encher o balde, quanto menor a resistência, a água passará mais fácil e o balde encherá mais rápido. Lembrando que aqui não temos diferença de pressão, a força com que a água passa é a mesma, ela não é relevante ao nosso pensamento.

Uma mangueira grossa oferecerá pouca resistência, pois terá muito espaço interno para a água passar, mas se ela for muito longa (muitas voltas) acabará equilibrando esse fator aumentando a resistência.

Uma mangueira fina já possui uma resistência maior, pois menos água passa por ela, mas se ela for curta, também equilibrará este fator, enchendo o balde tão rápido quanto uma mangueira grossa, porém muito longa.

Se a nossa mangueira é grossa demais, ou seja, com resistência muito baixa, é fácil passar água. Mas se quisermos aumentar a resistência, como fazer isso sem trocar o diâmetro da mangueira? Aumentamos o comprimento, fazendo com que a água tenha que percorrer um caminho mais longo, que apesar de largo, fará com que a água demore mais para passar por todo o trajeto.

Se a nossa mangueira é muito fina, ou seja, com resistência muito alta, a água passa com dificuldade, então como diminuímos a resistência sem trocar a mangueira para um diâmetro maior? Tornamos a mangueira mais curta, menos caminho a percorrer, menos resistência até chegar ao balde.

Um exemplo prático


Peguemos como exemplo um fio resistivo Kanthal de tamanho AWG 32, ou seja, possui diâmetro de 0.20mm, que é um tamanho fino comparativamente com outros mais utilizados. Para atingir uma resistência de 2 omhs, que é uma resistência relativamente alta, é preciso de um fio de 4.4cm ou fazer apenas 4 voltas com 3 mm de diâmetro, já que o fio é tão fino que oferece bastante resistência.

Agora se o fio for trocado por um Kanthal AWG 26, com 0.40mm de diâmetro (o dobro do diâmetro), para atingir os mesmos 2 ohms é preciso de impressionantes 17.7cm ou 14 voltas (mais do que o triplo) nos mesmos 3mm de diâmetro.

Controle de temperatura: Níquel, Titânio e Aço Inoxidável


Com o advento do controle de temperatura houve o uso de 3 tipos de materiais: o níquel, o titânio e o aço inoxidável. Com o tempo os dois primeiros caíram em desuso ficando apenas o aço inoxidável pois ele pode ser usado também no modo POWER. Para saber como funciona o controle de temperatura leia este artigo.

Um breve resumo: cada fio possui características que tornam possível relacionar sua temperatura de acordo com a resistência medida do metal. É quase como dizer que se for medida em um fio de níquel uma variação de 0,010 ohms é porque ele aumentou 100 graus (os números são apenas para exemplo). À partir dai é possível medir a resistência em tempo real e determinar sua temperatura. Os aparelhos com o chamado TC (temperature control) fazem exatamente isso e assim podem determinar (e controlar ou pelo menos limitar) a temperatura aproximada que a coil está, não deixando ela passar de um determinado valor setado no aparelho.

A grande vantagem (e o motivo do controle de temperatura ter sido inventado) é que controlando a temperatura, é impedido que os fios ultrapassem valores seguros e possam produzir algum componente químico cancerígeno ou prejudicial.

A produção destes componentes é perfeitamente possível caso os metais ultrapassarem determinadas temperaturas.

Kanthal

Assim como falamos “Chicletes” quando na verdade deveríamos falar “goma de mascar” e “Bombril” quando o correto é “palha de aço”, aqui a marca se confunde com o produto.

Kanthal é a mais conhecida marca que produz ligas metálicas baseadas em Fe (Ferro), Cr (Crômio) e Al (Alumínio) dai seu nome comumente usado de FeCrAl para identificar o produto.

Alguns acabam chamando também de “Kanthal” a liga Nichrome ou Nicrômio que como o próprio nome já diz, é composto por Níquel e Crômio porque ambos os fios possuem características muito similares, apesar de composições diferentes.

Foi o segundo fio utilizado nos ecigs. Ele é considerado relativamente seguro, porém é preciso lembrar da presença do crômio. É um material que pode produzir compostos cancerígenos, mas apenas se a coil permanecer incandescente por longos períodos, é por isso que é dito que a troca periódica para evitar este problema.

Devido às suas propriedades, não é possível utilizar no modo de controle de temperatura, sendo necessário usá-lo em modo “power” nos dispositivos regulados.

É também o material indicado para utilização em dispositivos não regulados ou mecânicos.

Níquel

O níquel é um metal bem maleável, que pode fazer com que seja preferível usar fios mais grossos para facilitar seu manuseio. Este foi sempre a principal reclamação sobre o material, a dificuldade de lidar com a liga.

Quando iniciou-se o uso do níquel algumas questões foram levantadas: Alergia ao níquel, derretimento do material, contaminação do metal no vapor e produção de monóxido de carbono são questões que dependem de temperaturas altas e por isso que não se deve jamais usar estes metais no modo POWER. Por causa destes riscos é que o metal caiu em desuso e foi substituído pelo SS – Stainless Steel ou Aço Inox.

Titânio

O titânio foi adotado logo após o níquel. É mais fácil de trabalhar do que o níquel, sendo mais firme. Logo após a descoberta do uso do titânio no vapor, várias preocupações surgiram, sendo duas delas de longe as mais graves:

1) Titânio puro pode pegar fogo, um fogo que nenhum extintor comum vai conseguir apagar, sendo necessário um extintor classe D que praticamente ninguém tem em casa.

2) A criação de dióxido de titânio, extremamente prejudicial se inalado, que é um pó branco formado em cima da coil.

Devido à estas preocupações que o titânio também foi substituído pelo Aço Inox.

Aço inoxidável (também conhecido por Stainless Steel ou a sigla SS)

Atualmente considerada a alternativa mais segura, usado em procedimentos médicos por anos, achou recentemente seu caminho para o vapor.

Possui um ponto de derretimento em torno de 1300º, tendo traços de níquel em sua composição que por sua vez também tem um ponto alto necessário para contaminação de aproximadamente 1200º, ou seja, temperaturas que não conseguem ser atingidas no vaping.

A vantagem do fio é que por ter uma quantidade de níquel suficiente em sua composição pode ser usado tanto no modo “power” quanto no modo de controle de temperatura.

Ele é encontrado em algumas variações de tipo como SS304, SS316, SS316L tendo pouquíssima diferença entre eles, porém considera-se o SS304 um pouco mais sensível à mudanças de temperatura, sendo mais indicado para controle de temperatura, porém qualquer um dos tipos pode ser usado tanto em controle de temperatura quanto modo power.

O que é preciso para usar coils


 

Um atomizador que possua uma base reconstrutível.
Um fio apropriado. Pode ser Kanthal, FeCrAl ou Nichrome para usar em modo POWER ou aço inoxidável para usar em modo de controle de temperatura ou também no modo POWER. As dimensões mais usadas:

Kanthal – AWG 26 (0.40mm), 28 (0.32mm) e 30 (0.25mm).
Aço Inox – AWG 24 (0.51mm) e AWG 26 (0.40mm).

Algodão, de preferência japonês orgânico, mas é possível usar o comum de farmácia, desde que este seja fervido antes para retirar potencial presença de alvejante. Temos um artigo que trata dos diferentes tipos de algodão neste link.
Acessórios para facilitar como tesoura, alicate de ponta fina, pinça de cerâmica, entre outros. Existem muitos acessórios que ajudam na hora de fazer as resistências, como ohmímetro, kuro coils, etc.

Como coils são feitas


Seria muito difícil escrever sobre o processo todo, portanto confira abaixo nosso guia em vídeo:

Problemas que você pode encontrar


  • Dry Hits: Quando o algodão não está devidamente molhado com o líquido e é sentido um forte gosto de queimado. Isso pode ocorrer por vários motivos, sendo alguns deles quantidade errada de algodão (muito ou pouco), mal posicionamento do algodão, necessidade de troca do material, potência muito alta além do que o setup consegue lidar, líquido muito viscoso. Usando o controle de temperatura este problema é praticamente resolvido pois um dos mecanismos de proteção dos aparelhos é não funcionar com a coil seca.
  • Curtos: Quando a resistência está encostando em alguma parte interna da base ou metal do atomizador, fechando curto. Quanto usado em mods regulados ele não vai acionar, dando erro e alertando para que você verifique sua resistência. É um grave problema para mods não regulados ou mecânicos, quando o curto pode causar acidentes, vazamento da bateria e até explosões. Por isso é indicado sempre verificar se o atomizador está corretamente setado usando um ohmímetro ou ainda um mod regulado, para só então conectá-lo em um mod não regulado. Ao verificar curto é preciso verificar a resistência e certificar que ela não está encostando em nenhuma parte interna da base do atomizador.
  • Spit back: É quando é sentido líquido subindo pela chaminé do atomizador e chegando à boca. Isso pode ocorrer por mal posicionamento do algodão, excesso de algodão, excesso de líquido no algodão (o que pode acabar com o spit back após algumas vaporadas) ou até um defeito no atomizador. Quando isso acontecer e não parar após algum tempo, talvez seja preciso recolocar o algodão.
  • Gunk: É a “gosma” que fica sobre a coil formada após um determinado tempo de uso principalmente por resquícios de juices doces. Pode acabar resultando em dryhits pois diminui a capacidade da coil e do algodão de absorver o líquido, pode também contaminar um novo sabor com o sabor anterior, entre outras coisas. Na hora da troca do algodão é indicad fazer um dry burn (queima seca) até tirar todos os resquícios do crosta de juice do metal.

Conclusão


Fazer coils exige certo material e conhecimento, questão de jeito e prática. Para muitos é um hobby, para outros, desnecessário.

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