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Análise escrita – Iqos Tabaco aquecido da Philip Morris

O Vapor Aqui apresenta a vocês o Iqos, sistema de tabaco aquecido da Philip Morris que é a aposta da indústria tabagista para apresentar um produto o mais próximo possível do cigarro, porém com enorme redução de riscos, se aproximando bastante do vaping.

Confira também o vídeo sobre a análise em nosso canal do Youtube através deste link, se gostar, curta e se inscreva que vem muita coisa bacana por aí.

A Organização Mundial da Saúde estima que em 2030 ainda teremos 1 bilhão de fumantes em todo o mundo, no Brasil ainda temos mais de 10% de fumantes, número que parece pequeno, mas quando levamos em consideração o tamanho do nosso país vemos que isso representa mais de 20 milhões de pessoas. Pensando nisso novas tecnologias estão surgindo para auxiliar no combate ao tabagismo substituindo um produto que mata pelo consumo de produtos que não matam.

Uma das novidades é o tabaco aquecido, uma aposta das grandes indústrias como a Philip Morris que pretende substituir os cigarros convencionais por produtos que prometem ser muito menos prejudiciais. A iniciativa não é exatamente uma surpresa já que o mercado de cigarros sofre perdas sistemáticas em suas receitas há muitos anos e se quiserem sobreviver algo precisa ser feito e logo. A Philip Morris foi a primeira à tomar a iniciativa e declarar publicamente que está comprometida a seguir com a migração dos cigarros para os chamados produtos de risco reduzido e um reflexo disso é a maturidade com que o Iqos, seu produto de tabaco aquecido, possui no mercado de diversos países.

Antes de falar sobre o Iqos é preciso falar um pouco sobre o sistema de tabaco aquecido em si já que a tecnologia é praticamente a mesma independente da empresa que a utiliza.

Já temos no site do vapor aqui alguns artigos que falam sobre a tecnologia, incluindo pesquisas realizadas tanto por parte dos fabricantes como de forma independente que você pode conferir neste link. Em resumo, num comparativo os cigarros eletrônicos possuem de 90% a 99% menor risco que o cigarro tradicional enquanto no tabaco aquecido este número fica entre 80% a 85%.

O produto

Desde a caixa, apresentação, identidade visual e acabamento de todo o conjunto, tudo transmite muita qualidade.

Na caixa você recebe: um power bank que é chamado de “Holder”, a unidade de aquecimento que é onde você irá inserir o bastão de tabaco e é ali que a mágica acontece, manuais em diversas línguas, carregador, cabo USB emborrachado de ótimo comprimento e boa qualidade, alguns cotonetes especiais para limpeza e um “mini kinder ovo” que é uma embalagem que guarda um sistema de buchas para limpeza e uma pequena pá para retirada de excesso de material.

O Holder possui 3 botões, o primeiro superior abre o compartimento da unidade de aquecimento, o segundo é para conexão Bluetooth e o terceiro é um botão de on/power.

Ele pesa 102.3 gramas medindo 11.2 cm x 5.1 cm x 2.2 cm.

A Unidade de aquecimento é o aparelho que você efetivamente irá usar para “fumar” um “cigarro”. Deixo ambas as palavras em aspas porque o produto consumido não é realmente um cigarro e não estamos fumando, já que não há combustão e portanto produzimos vapor e não fumaça. Nela há apenas um botão para ligar.

Ela pesa 20.2 gramas e mede 9.3 cm de largura por 5.2 cm de diâmetro.

Já o Heets é o produto que você irá consumir, vem em maços de 20 unidades e possui um tamanho de metade de um cigarro convencional, porém a quantidade efetiva de tabaco que ele contém é na verdade 25% do tamanho do bastão.

Um pacote cheio de bastões de tabaco pesam 22 gramas e medem 7.5 cm x 4.8 cm x 1.5 cm, a título de comparação uma carteira de cigarros normais pesa 25 gramas quando cheia e fechada e mede 8.4 cm x 5.4 cm x 2.2 cm.

Existem vários tipos de Heets, sendo os mais comuns a versão “Amber” identificada pela cor âmbar e a “Yellow” caracterizada pela cor amarela. Ao contrário do que podemos pensar inicialmente, a cor âmbar é mais escura porém é um produto mais suave do que o amarelo, que apesar de ter uma cor mais clara, é um produto mais forte.

A Philip Morris me informou que existem outros sabores oferecidos como o mentolado, alguns sendo inclusive regionais dependendo do mercado.

Se compararmos com o tamanho e peso de nossos mods que normalmente possuem até 2 baterias e atomizadores cheios de líquidos, que chegam a pesar quase 400 gramas de peso e são muito maiores, a gente acha o conjunto de coisas que compõe o Iqos é algo pequeno e leve.

Para quem está acostumado a ter algo no bolso do tamanho e peso de uma carteira de cigarros e um isqueiro, a diferença ao carregar o Iqos não é muito grande.

Como funciona

O Holder deverá ser carregado na tomada e serve para armazenar a energia que será transmitida para a unidade de aquecimento. Ele tem uma autonomia estimada de 20 carregamentos da unidade de aquecimento, o que acaba também simulando o ato de se consumir um maço de cigarros com 20 unidades que é a mesma quantidade de Heets que vem em um maço.

O carregamento do Holder leva em torno de 1 hora e meia utilizando um regulador de tensão de 5V e 2 amperes, portanto sim, você pode usar a caixinha para carregar seus mods no vaping.

É preciso apertar o primeiro botão para abrir o compartimento e inserir a unidade de aquecimento, sempre lembrando de colocá-la no sentido correto, com os conectores para baixo, coisa que errei algumas vezes no começo e não entendia o porquê a coisa não funcionava, erros de principiante.

Ao fechar a tampa o Holder automaticamente irá carregar a unidade de aquecimento, piscando a luz indicativa.

Além dela, temos outras 4 luzes que indicam a quantidade de bateria do Holder.

O botão Bluetooth serve para conexão com o aplicativo e o botão de “on/power” quando apertado mostra a quantidade de energia disponível. É possível reiniciar o aparelho (coisa que eu tive que fazer algumas vezes) mantendo o botão “on/power” pressionado, apesar do manual dizer para pressionar o botão “on/power” juntamente com o botão de Bluetooth, isso não funciona, sendo necessário apenas apertar o botão “on/power” e assim o aparelho acende todas as luzes e pisca brevemente.

O maior problema que tive foi exatamente o não carregamento adequado da unidade de aquecimento, quando apesar de inserir corretamente, o Holder mostrava a luz indicativa de carregamento, porém demorava muito para apagar, indicando que a carga estava completa. Apesar disso, ao tirar a unidade de carregamento do Holder eu já recebia a luz indicativa da unidade de carregamento na cor vermelha dizendo que não estava carregado. Após reiniciar o aparelho, um novo carregamento desta vez era feito e tudo funcionava corretamente.

O processo todo se resume a inserir a unidade de aquecimento no Holder, aguardar o carregamento, retirá-la e inserir um Heets no local adequado, sempre com cuidado para não danificar a lâmina de aquecimento que fica dentro do compartimento. Esta lâmina é a responsável por aquecer o tabaco e não deve-se girar o Heets após inserido pois ela pode quebrar.

Após inserir o Heets, é preciso apertar o botão da unidade de aquecimento até que ela vibre e passe a piscar uma luz branca, indicando que o aparelho está pre-aquecendo. Em aproximadamente 20 segundos ele estará pronto para uso.

Importante mencionar que não há necessidade de apertar o botão após este processo, coisa meio natural para quem vem do vaping e sempre tem que apertar um botão para acionar os dispositivos. No caso do Iqos, basta tragar normalmente sem fazer mais nada.

O produto dá direito a 14 puffs ou 6 minutos de utilização, o que ocorrer primeiro. Próximo do final do uso, o aparelho dá outro sinal vibratório e pisca, avisando que você tem apenas 2 puffs restantes ou 30 segundos de uso.

Para retirar o Heets basta puxar uma das pontas da unidade de aquecimento que é apenas encaixada e permite a remoção do bastão. Depois é só guardar a unidade de aquecimento novamente no Holder que já irá deixá-la carregada e pronta para a próxima utilização.

A manutenção é bastante simples, sendo utilizados os cotonetes especiais para limpeza da câmara interna onde fica a lâmina de aquecimento e também os apetrechos que vem dentro de uma espécie de “kinder ovo”. Nele você encontra uma pequena pá para retirada de qualquer excesso de resíduo e também duas buchas para inserir na câmara interna e poder escovar delicadamente a lâmina.

Diferenças entre os tabacos

Comparando o cigarro tradicional com os Heets, temos muitas diferenças.

Começando pelo tipo de tabaco, a unidade de aquecimento é programada para manter uma temperatura que não apresente risco de queima do produto. Porém mesmo que exista um problema, o tipo de tabaco utilizado, chamado de tabaco reconstituído, não pega fogo.

Me foi explicado que é feita uma pasta de tabaco para depois processamento e manufatura do Heets. Isso forma um tipo de tabaco marrom uniforme, que lembra lascas de madeira.

Mesmo aplicando chama direta, ele não pega fogo, ao contrário do tabaco tradicional, que queima e produz cinzas. O Heets não apenas não produz cinzas, como não apresenta nenhuma grande alteração após o uso, ficando escurecido, mas aparentemente não se transformando.

Outra diferença é no filtro, enquanto o tabaco tradicional usa algodão, no Heets temos uma espécie de plástico comprimido no lugar do filtro, bastante diferente.

Experiência

A sensação de utilizar o Iqos é idêntica à de fumar um cigarro. O sabor e cheiro são os mesmos, porém com algumas pequenas diferenças. Não é um odor que fica impregnado, principalmente nos dedos. É possível sentir o cheiro de cigarro no ambiente, porém ele não perdura por muito tempo.

Para esta análise eu acendi e traguei um cigarro convencional da marca Marlboro modelo Light. Depois de tanto tempo sem fumar, o gosto é realmente intragável, senti uma leve tontura e minha boca parecia cheia de papel queimado.

Já no Iqos, o gosto é muito parecido, mas de forma muito mais leve, porém ainda fica um retrogosto de tabaco, só que de um jeito muito menos agressivo que um cigarro comum em todos os aspectos, inclusive não fiquei tonto nem tive qualquer sensação desagradável fora o sabor que já não me agrada mais.

O filtro do Heets aquece consideravelmente e é preciso se acostumar um pouco com isso em contato com os lábios. Já o vapor tem uma temperatura média, igual a um cigarro e mais frio do que o vapor que eu particularmente gosto quando uso um vape.

Lembrando do fumante que fui, a única falha que vejo no produto é de que não há como consumir outro Heets de imediato, pois é preciso retornar a unidade de aquecimento ao Holder e aguardar cerca de 4 minutos. Quando fumava, muitas vezes eu acendi um cigarro depois do outro (não raras as vezes que acendi um cigarro usando o cigarro anterior para acender o novo) portanto o Iqos não me satisfaria e provavelmente eu seria um usuário duplo, também consumindo tabaco tradicional enquanto o Iqos estivesse carregando.

É um produto que literalmente entrega a sensação de fumar. Para quem está acostumado com o vaping e procura sabores de frutas, sobremesas e coisas como essas, além de um volume muito maior de vapor, o Iqos é um universo completamente diferente. Porém para aqueles que não se acostumarem com o vaping ou realmente querem uma experiência igual ao fumar, o tabaco aquecido pode ser uma excelente alternativa com muito menor risco.

Pesquisas

Em relação a pesquisas, o vapor e o tabaco aquecido são duas situações completamente diferentes.

Enquanto no vapor temos centenas de pequenas empresas fabricando os produtos, de aparelhos a acessórios e líquidos, não há representatividade mundial e nenhuma grande empresa investindo em pesquisas, portanto a maioria delas são feitas por profissionais da área de saúde que resolvem analisar o vaping através de uma ótica científica, seja por investimento de Governos ou outras entidades, tornando os resultados frutos de estudos independentes, pois não há subsídio por parte de quem fabrica o produto.

Já no tabaco aquecido a grande maioria dos estudos possui fundos diretamente ligados aos fabricantes, o que acrescenta uma certa dose de ceticismo já que há interesse comercial no resultado destas pesquisas.

Porém o volume de informação é bem grande e nos dias de hoje é bastante difícil fugir do escrutínio da opinião pública e conseguir efetivamente entregar resultados que não sejam verdadeiros, como ocorreu em décadas passadas quando foi criado o grande estigma da indústria tabagista ao alegar que o cigarro não causava câncer e que a nicotina não viciava, é o tipo de coisa que não tem lugar no mundo de hoje.

Uma notícia que dá bastante credibilidade para essas pesquisas é a recente regulamentação da comercialização do Iqos pelo FDA – Food and Drug Administration, órgão regulamentador dos EUA que é bastante rígido e criterioso. O órgão inclusive já atua fortemente no combate ao uso do vaping por jovens e sua política é muitas vezes controversa, mas não há como negar que a preocupação é real e que o vaping não deve ser utilizado sem controle, principalmente por menores de idade. Tampouco deve o tabaco aquecido.

Mas no final das contas, o tabaco aquecido é mais novo que o vaping e carece ainda mais de estudos de longo prazo, sabe-se apenas que à curto prazo as consequências do uso são muito menos prejudiciais que o fumo e portanto até o momento é uma ótima ideia trocar o cigarro convencional pelo tabaco aquecido.

Mais informações sobre pesquisas você encontra em nosso artigo sobre o tabaco aquecido.

Conclusão

Como eu sempre digo, vaping não é saudável, é menos prejudicial e esta é a mesma premissa do tabaco aquecido. Em uma escala de riscos e potenciais danos, o melhor mesmo para o fumante é parar de fumar com a força de vontade, mas isso é bastante difícil e muitas vezes infrutífero. Eu apoio e recomendo a tentativa de métodos clássicos como gomas de mascar, adesivos e remédios, pois estes são aprovados e comprovadamente seguros para deixar de fumar.

O problema é que estes métodos clássicos possuem um índice de sucesso muito baixo, de cerca de 30% ou menos. Portanto mais de 70% das pessoas não conseguem parar de fumar com eles.

É neste caso que entra o vaping, uma alternativa que pesquisas da Inglaterra indicam ter 2 vezes mais chances de sucesso do que os métodos tradicionais e que são comprovadamente de 90% a 95% mais seguros.

Porém, o mundo é feito de escolhas e elas são importantes. Caso mesmo assim não consiga parar de fumar porque simplesmente não encontrou no vaping uma alternativa ideal, aí então entra o tabaco aquecido, com um risco um pouco maior, representando uma diminuição de riscos de 80% a 85% frente ao cigarro, mas que ainda assim é um salto enorme na busca por uma melhor qualidade de vida.

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